segunda-feira, 17 de março de 2008

MELÔ DO CONGRESSO

Honestidade foi embora / E a vergonha no Congresso já não mora.

Esperança no Brasil, só piora / Porque sei que a falsidade lá vigora.

O deputado já começa aproveitando / Mete a mão vai desviando.

E não pára de roubar / E o dinheiro do hospital / Vai pra boiada / Pra amante e o novo carro / Que o Juninho vai comprar.

Moralidade foi-se embora / E a maldade no Congresso é lá que mora.

E é por isso que o nosso só se explora / Porque sei que a pilantragem lá vigora.

O deputado fala errado / Ri à toa se fingindo de inocente / E começa a enrolar / E o coitado que votou nessa pessoa / Lembra o voto, que vergonha / Quatro anos para aturar.

Seriedade foi-se embora / O picareta virou dono, e nos devora / E o povo inteiro já percebe, a ilusão / De que a política em Brasília / É enganação.

Daqui a pouco é eleição e lá vêm eles / Com sorriso, abraço e beijo / Pro meu voto conquistar / E eu mando á merda, não sou burro nem palerma.

Ninguém mais me passa a perna / Eu vou botar pra quebrar.

Renovação vamos embora / Que a limpeza do Congresso não demora.

Não sou trouxa, tô cansado / Vou à forra / Porque sei que a falsidade não vigora.

‘Lupiscínio’

LA FIESTA

A América Latina começa a pegar fogo.
Coincidência ou não, a saída do velho guerrilheiro Fidel Castro da cena política deixa a paisagem não somente deserta, mas também desequilibra o jogo ideológico que ainda se mantinha vivo, com aquele acampamento cubano armado lá fora, diante do Forte Apache comandado pelo Grande Pai Branco armado até os dentes.
Agora, começam a aparecer os efeitos colaterais da despedida de Fidel.
No vácuo da sua liderança, emerge a figura aloprada de Hugo Chávez, esgueirando-se por entre os jequitibás das selvas caribenhas para desafiar as repúblicas embananadas que mascateiam coca e gás natural; sob as vistas tolerantes da diplomacia sambista do Brasil animado pelo pagode de Lula na Comissão de Frente e a repentina milonga que se instalou na Plaza de Mayor, graças aos volteios do casal Nestor e Cristina Kirchner diante da Casa Rosada.
A bem da verdade, o ritmo é de samba do crioulo doido.
Antes fosse.
Foi no camarim de Carmem Miranda, que se maquilou á imagem de uma América exótica, cravejada de cidades encantadoras à beira-mar, com seus casinos, suas rumbeiras e seus ventiladores de teto zumbindo em dueto com as moscas impertinentes que vinham de matas povoadas de micos irreverentes, araras de penugem nacionalista e papagaios pornográficos.
Como estratégia de marketing, até que funcionou, apesar dos caminhos cruzados entre o Rio de Zé carioca e o Buenos Aires de Carlos Gardel. Bem que vendemos memoráveis carnavais em parceria com os hermanitos animados com os seus bandoneones...
O pano que começa a cair sobre a cena política da América Latina encerra o último ato de um exuberante espetáculo de degradação da vontade popular entremeada por lances de um grotesco fascismo getulista, por um nauseabundo populismo peronista e por uma feroz ditadura pinochetista do lado de lá da cordilheira.
Terá sobrado mais alguma coisa?
O sonho cubano estará condenado a morrer na praia?
Cartas para a Laponia de papai Noel ou, quem sabe, para o túmulo do Camarada Che, que prometeram, do alto das suas botas, os dois juntos e cada qual a seu modo, uma Pátria y Libertad que não se consumou.
O canto do cisne castrista serve de trilha sonora para essa melancólica fiesta que reúne Uribe, Morales, Chávez, Correa, Lula e a dupla de milngueiros Kirchner.
Um triste espetáculo!

‘Luiz Augusto Crispim’

JORNALISMO, ÉTICA E INTERESSE PÚBLICO

A expansão das sociedades de mídia, fundidas em poderosas aglomerações, revela as especificidades do Jornalismo neste inicio de século. Princípios éticos que balizavam as relações entre o moral e o interesse público são diluídos numa insensibilidade traduzida na espetacularização do real e na banalização da violência e da permissividade sexual.
Atento a estas características contemporâneas, Francisco José Karam acaba de lançar o livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”, pela Summus Editora, oportunidade em que reflete sobre o papel das variadas médias na construção da realidade.
“No inicio do século XXI, o crescimento das corporações do jornalismo ligadas a uma estrutura combinada de comunicação ou mídia cruzada (radio, TV, jornais, mídias digitais e similares), aliadas a outros setores produtivos, compromete ainda mais o ideal sempre perseguido de um jornalismo como forma de conhecimento ou como grande mediador imediato das discussões no espaço público”.
Abordando temáticas fundamentais acerca das relações entre o jornalismo e a sociedade, Karam privilegia o enfoque ético. “O jornalismo, como código terciário de segunda natureza, carrega valores. Um deles é o da constituição moral interna, que embute uma ética, expressa em variados casos, em deontologia profissional, especifica de cada atividade.
O autor acredita que a concentração de poder resultante dos grandes conglomerados de comunicação chega a colocar em risco a sobrevivência da profissão de jornalista.
“Diante da complexidade social, amplia-se contemporaneamente a necessidade da afirmação de projetos profissionais específicos, ancorados em uma ética/deontologia profissional, com fundamentação teórica e critica. Junto com outras atividades, o jornalismo tem potencialidades emancipadoras, como a de qualificar o sentido comum de entendimento social sobre o entorno imediato, sobre o passado que se acumula no presente”.

‘Josinaldo Malaquias’

HAJA VERMELHO EM AMESTERDAM

Noticias dão conta de que será construído um monumento em Amesterdão, no bairro da “Luz Vermelha”, em homenagem às prostitutas do mundo, tendo a Escultora Els Majoor, sido encarregada do projeto, representando uma mulher olhando para o céu, com as mãos nos quadris, em pé, diante de uma escadaria. Afirma o noticiário que a iniciativa, primeira e única no mundo, já fora aprovada pelos órgãos locais competentes, com uma só exigência: que seja todo em cor vermelha.
Nenhuma objeção quanto á homenagem, nem ao projeto, por não conhecermos os seus detalhes, embora se considere que a mais antiga das profissões não deve ser discriminada, por não merecer essa ou outra iniciativa.
Seria, no mínimo, mais uma discriminação odiosa e injustificável com uma categoria de pessoas, que aderem a essa atividade por razoes as mais diversas, inclusive, na maioria das vezes, por imposições e contingências da própria sociedade onde vivem. Sem entrar no mérito da questão, nem pretender discutir as origens e motivações da prática, universalmente aceita, o que chama a atenção no noticiário foi o local para a construção do monumento: o conhecido bairro da “Luz Vermelha”, onde mulheres em trajes sumários ficam expostas nas vitrines, que enchem numerosas ruas, em posturas sensuais, a fim de atraírem as atenções dos turistas, e, consequentemente, cooptá-los.
A grande maioria dos que são levados lá; por interesse turístico, tem a sensação de que está assistindo a um total abastardamento da profissão, como se as protagonistas fossem objetos à venda, e, para serem aceitas, devessem permanecer com o seu corpo à mostra, a titulo de atração, na disputa de clientes, numa concorrência brutal, própria do mercado, que é assaz competitivo.
Poder-se-á dizer que são costumes consagrados, naquele país, onde tudo é liberado: sexo, droga, e inúmeras outras perversões do corpo e do espírito, numa conduta diferente da nossa, e que contraria, por isso mesmo, as nossas tradições. Daí a rejeição que tais cenários inspiram, à primeira vista, para os que não estão afeitos a tamanhas aberrações.
Que fique explicito, porém, que nada a objetar quanto à homenagem, nem quanto às homenageadas, certos de que os erros e vícios resultam, infelizmente, das deformações do comportamento do homem. E nenhuma outra profissão está isenta desses abusos, que lhe inibem as suas saudáveis destinações, em proveito das velhacarias humanas.
Concordemos ou no, há muito vermelho em Amesterdão!

‘Evaldo Gonçalves’

FIDEL E RAUL: QUASE NADA MUDA

Fidel Castro no deixou o poder. Apenas renunciou a presidência de Cuba. Como grande estrategista que sempre foi está agora cuidando ele próprio da sua sucessão. Nada mais sábio. O anuncio da renuncia, comemorado pelos cubanos exilados nos EUA e com frases do governo americano se oferecendo para “ajudar o povo cubano no seu anseio por liberdade” soa festiva demais. A renúncia não significa quase nenhuma mudança.
O maior mito vivo da história política mundial sabe que está gravemente enfermo e que o pior que poderia acontecer seria a sua morte repentina sem deixar a ilha preparada. Se assim fosse, este não seria Fidel. Afinal, no foi ele que conseguiu escapar de inúmeras tentativas de assassinato da Agencia Central de Inteligência Americana? De charutos envenenados a canetas-atiradoras, o homem mais odiado dos Estados Unidos durante décadas escapou ileso a tanta ira.
Foi Fidel, um simples latino-americano, que trouxe o pavoroso monstro do comunismo para muito perto. Fez a União Soviética mandar os seus navios para Cuba com armas nucleares apontadas para os EUA depois do fiasco da invasão da Baia dos Porcos que usou os cubanos treinados pelos americanos.
A Guerra Fria, que hoje parece ficção, fez todos os países tremerem como o anuncio do fim do Mundo. Só nos últimos anos o surgimento de Osama Bin Laden foi capaz de desviar os olhos do governo americano de Fidel Castro.
Ele dedicou a sua vida à causa que acreditou desde jovem, quando aos 26 anos e formado em Direito, liderou um grupo de revolucionários contra o ditador Fulgêncio Batista. Cuba nada mais era do que o quintal dos EUA, corrupta com uma pequena população rica, muitas empresas americanas e a grande maioria pobre e miserável.
Preso, condenado e anistiado, no México conheceu Che Guevara e juntos com Raul, o seu irmão inseparável desde então, que esteve sempre ao seu lado, voltou á ilha com um grande plano de guerrilhas de supetão e que culminou com a tomada do poder em 1959, quando o general Batista fugiu num avião; recheado de familiares e aliados.
Acusado por muitos de manter um governo rígido, com execuções desnecessárias, sem liberdade e cheio de sacrifícios para o seu povo, Fidel também é admirado por outros. Instituiu um grande plano de educação, erradicou o analfabetismo, e tem na saúde um dos melhores, senão o único exemplo da América Latina.
A sua renuncia em favor do irmão, sem duvida, faz pensar. A era Fidel entra, sem duvida, no capitulo final. Algumas reformas podem até vir, e já estão, aos poucos, acontecendo, mas no haverá nenhuma mudança drástica enquanto o Comandante viver.

‘Rosa Aguiar’

FENG SHUI INTERIOR – COMO DOMAR A BAGUNÇA

A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização. A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala prece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades.
De acordo com o Feng Shui Interior – uma corrente do Feng Shui que mistura aspetos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes – bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessos viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relcionamentos.
Para evitar tudo isso fique atento às SETE REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA.

1 – Jogue fora o jornal de anteontem.

2 – Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.

3 – Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.

4 – Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.

5 – Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.

6 – Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de papelão marcadas, lixo, consertos, reciclagem, em duvida, presentes, doação. Após enchê-las, jogue tudo fora.

7 – Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.

AGORA PASSE A DESENVOLVER AS SEGUINTES MEDIDAS:

1 – Veja uma lista de atitudes pessoais capaz de esgotar as nossas energias. Conheça cada uma dessas ações para evitar a “crise energética pessoal”
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2 – Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo – Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspetos básicos para a manutenção da saúde energética.

3 – Pensamentos obsessivos – Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso.
Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre os seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. No basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à sua qualidade. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

4 – Sentimentos tóxicos – Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. No é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prosperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos.
Medo e culpa também gastam energia, e ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energias e dão força para empreender os nossos projetos e superar os obstáculos.

5 – Fugir do presente – As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “Bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto àqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam as suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele a sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir as nossas vidas.

6 – Falta de perdão – Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para a frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer os seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica “energeticamente obeso”, carregando frdos passados.

7 – Mentira pessoal – Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papeis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vitima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai energético, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

8 – Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também a nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo os seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir a sua própria vida. O único premio, nesse caso, é a frustração.

9 – Bagunça e projetos inacabados – A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. Á medida que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem a nossa mente e coração. Pode não resolver o problema mas dá alivio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia.
Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “Você não terminou! Você não me terminou!” Isto gasta uma energia tremenda.
Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da determinação fará com que você não invista em projetos que não serão concluídos e; que apenas consumirão o seu tempo e energia.

10 – Afastamento da natureza – A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O Homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.
Divulgue essas dicas para o maior número de pessoas possível e mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo. Vamos tentar melhorar a nossa energia pessoal. Atitudes erradas jogam a energia pessoal no lixo (...). Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.
A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como: a falha de memória (o famoso “branco”); o cansaço físico, o sono deixa de ser reparador; a ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas.
Para economizar energia – o crescimento pessoal, prosperidade e a satisfação diminuem – os talentos não se manifestam mais por falta de energia, o magnetismo pessoal desaparece, medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o “vampirismo energético”.

‘Brígida Brito’

FELICE, MA NON TROPPO

No ginásio, os maristas costumavam extrair temas insólitos para as redações em classe: “A gota d’água”, “O Grão de Mostrada” e coisas do gênero, para desespero do pessoal mais afeito aos cálculos e aos teoremas.
O texto clássico mesmo era: A Felicidade. Esse não podia deixar de aparecer nas aulas do irmão João Caçador.
A Felicidade.
Quarenta anos depois, se tivesse de escrever sobre o assunto, valendo nota para me graduar na vida, eu era capaz de ser reprovado, sem direito a segunda época.
À medida que o tempo vai se esgotando na vida de cada um, certas mistérios vão ficando cada vez mais difíceis ao entendimento da gente.
Os anos ensinam muito, é verdade. Porém, sobre a felicidade sei penas que sei muito pouco. Quase nada.
Quando menino, sabia muito mais. Só não sabia dizer direito. Mas posso até dizer que sabia quase tudo. Até porque naquele tempo era bastante simplesmente viver para ser feliz.
Se os meninos entendem com perfeição da felicidade. Entre os adultos, ela exige certos elementos que os ginasianos jamais ouviram falar. O acompanhamento da felicidade é que atrapalha o aprendizado das pessoas que já passaram há muito pelo ginásio e que acabaram reprovadas na vida, sem nada entender de felicidade, incapazes de assinar um texto de dez linhas para traçar o perfil verdadeiro de um homem feliz.
E afinal, onde está a felicidade?
No interior da alma humana; dirão os filósofos intimistas, os degredados filhos de Schoppenhauer. Mas quem é capaz de confessar em público, na presença de tanta miséria em derredor? Quem tem a coragem de abrir a boca para proclamar felicidade plena diante de tantas bocas famintas e de tantas mãos estendidas?
Não, a felicidade vive disfarçada em coisas simples que se espalham inadvertidamente pelo próprio viver das pessoas: uma rede à beira-mar, uma colina, o olhar terno de uma criança; quem sabe?
Talvez.
E depois? Recolhida a rede, dissipada a derradeira brisa, feito homem a última criança, por certo não terá mais o mesmo olhar. E a felicidade terá, finalmente, passado. Como a brisa. Como os anos repetentes que nunca passaram no Ginásio.
A felicidade humana, por certo é feita de sobras.
E, como não pode durar muito, cá entre nós, não, nunca se perde, em tudo se transforma e acaba nos fazendo felizes de qualquer jeito, mas finda voltando, numa reciclagem eterna, que os homens não podem governar, nem muito menos entender.
É por isso que faço de contas que as minhas felicidades são eternas. Assim profetiza o poeta, mandando acreditar nas pequenas durações que latejam na alma. Duram enquanto pulsa o coração das pessoas que se acreditam felizes.
É tudo quanto posso saber da felicidade. A eternidade tem o tamanho das crenças de cada um. Já vivi eternidades perfeitas, todas elas de pequenas durações.
E, quando tudo acabou, deu para entender que aquela era a fronteira extrema que um homem pode alcançar para ser feliz, depois que deixou de ser ginasiano.

‘Luiz Augusto Crispim’