Quem não gostaria de percorrer um super-recortado litoral com belas paisagens naturais e cidades encantadoras. Quem não gostaria de ver um sol especial, o da meia-noite, clareando, no verão, as madrugadas.
Muitas pessoas sonham em aportar nesse lugar, um dos mais setentrionais do Mundo. Sonham com esse país europeu com formato geográfico longo e estreito, semelhante ao do Chile. Esse lugar tão longe é a Noruega.
O traçado geográfico da Noruega é impar, com o seu labirinto de fiordes, partindo do porto de Bergen, ao sul do país, até ás ultimas cidades do extremo norte. Por isso, o espírito de navegante é ínsito do povo norueguês, entendedores de ventos e mares, desde o fim do século 8 d.c.. Daí porque a forma mais adequada de conhecê-la é navegando por suas baias e estreitos, formados por antigos glaciares.
Dentre as cidades a serem visitadas, destacam-se Bergen e Trondheim. Aquela por seu Píer de Bryggen, declarado patrimônio da humanidade, pela UNESCO, em 1979; por suas construções seculares, como castelos e igrejas; pelo Fisktorget, o famoso mercado de peixe; por suas antigas casas que datam de 1070, preservadas ao longo dos séculos. A última cidade é escala importante, por abrigar a catedral Nidaros, a maior da Noruega.
A Noruega integrava o grupo dos países pobres. Em 1970, ao ser descoberto um campo de petróleo e gás no seu litoral do Mar do Norte, passou à categoria de país rico, com excelentes condições de vida e alta evolução cultural e social.
Os 4,5 milhões de noruegueses vivem no extremo norte do planeta, espalhados num território de 325 mil quilômetros quadrados (pouco menor que o Estado do Maranhão no Brasil). Arraigados às suas tradições, os noruegueses respeitam as suas leis e o direito à tranqüilidade própria e a dos outros.
A cobrança rígida de vida austera no os torna irritadiços ou frustrados; pelo contrário, não afeta a sua maneira alegre e risonha de ser. Também pudera com aquela dádiva do sol da meia noite, a iluminar as madrugadas das cidades do seu país que ficam além do circulo polar!
‘Onélia Queiroga’
Blog de opinião pessoal, critica, independente e rigorosa em termos de analise problematica das questões. Convidados a participar cidadãos com um pensamento livre e descomprometido com obrigações de seguidismo politico, social ou religioso. Aqui, neste espaço, cada um continua a ter as suas opções pessoais, de forma livre. Cada um sabe de si!!!
segunda-feira, 17 de março de 2008
O MUNDO EM PROGRESSO
No seu belo romance “Cloud Atlas” (2004), David Mitchell reconta uma parábola oriental sobre o propósito do Universo. Diz o personagem:
“Um dia o meu avô me mostrou um quadro representando um templo siamês. Não lembro o seu nome, mas dizem que desde o dia em que um discípulo de Buda fez pregações naquele local, séculos atrás, todos os chefes de bandidos, todos os tiranos e todos os monarcas daquele reino o vêm adornando com torres de mármore, arvoredos perfumados, cúpulas folheadas a ouro, murais decorativos nos tetos abobados, esmeraldas nos olhos das estatuetas. Quando o templo finalmente estiver igual à sua contrapartida na Terra da Pureza (reza a lenda) então nesse dia a humanidade terá cumprido a sua função, e o Tempo chegará ao fim”.
Para esse tipo de cosmogonia, o Universo é uma obra-em-progresso que um dia estará pronta – e deixará de existir. Os leitores de Ficção Cientifica irão recordar o conto de Arthur C. Clarke, “Os Nove Bilhões de Nomes de Deus”. Um grupo de monges do Himalaia contrata os serviços de um supercomputador (e respectiva equipe técnica) para fazer todas as combinações de letras possíveis formando todos os possíveis nomes de Deus. Dizem eles que a função da humanidade é descobrir esses nomes, e quando o fizer, seu trabalho estará encerrado. Certa noite, quando o trabalho está na reta final, faltando apenas uns minutos para ser completado, os técnicos resolvem cair fora dali, porque acham que nada vai acontecer e os monges ficarão furiosos. Quando fogem do mosteiro, um deles olha para o céu. E o conto se encerra com a frase hoje celebre:
“No alto, sem alarde, as estrelas estavam se apagando de uma em uma”.
Essas historias tão distantes entre si correspondem á nossa ânsia profunda de que o mundo faça sentido. O mundo (o Universo) é algo que foi montado, tem um desenho, tem um desígnio, tem um propósito. Estamos aqui para remontar esse quebra-cabeças cósmico. Alguém criou o Plano, estilhaçou tudo e misturou as peças. Estamos aqui para reconstituir o que foi estilhaçado e remontar o desenho primordial. Quando conseguirmos essa proeza, ironicamente, a nossa existência deixará de ter propósito, porque a grande pergunta terá sido respondida, o grande vazio terá sido preenchido.
O ser humano é doido por dar um ponto final a si mesmo. O marxismo anunciou que a historia humana se encerraria com o Comunismo. Em tempos mais recentes, um economistazinho de direita anunciou nos EUA “O Fim da Historia”, ou seja, o capitalismo atual seria o ponto final, o ponto mais alto d evolução social. Não admira que exista, do lado oposto, um exercito incansável de exploradores do desconhecido, de poetas do absurdo, de coros de descontentes, de desarrumadores das idéias, todos dizendo:
Não! Não acabou ainda! Falta muita coisa!
E, como Penélope, desmancham a ciência e a filosofia recém bordadas e começam tudo de novo, para adiar o Instante Terrível.
‘Dirceu Cardoso Gonçalves’
“Um dia o meu avô me mostrou um quadro representando um templo siamês. Não lembro o seu nome, mas dizem que desde o dia em que um discípulo de Buda fez pregações naquele local, séculos atrás, todos os chefes de bandidos, todos os tiranos e todos os monarcas daquele reino o vêm adornando com torres de mármore, arvoredos perfumados, cúpulas folheadas a ouro, murais decorativos nos tetos abobados, esmeraldas nos olhos das estatuetas. Quando o templo finalmente estiver igual à sua contrapartida na Terra da Pureza (reza a lenda) então nesse dia a humanidade terá cumprido a sua função, e o Tempo chegará ao fim”.
Para esse tipo de cosmogonia, o Universo é uma obra-em-progresso que um dia estará pronta – e deixará de existir. Os leitores de Ficção Cientifica irão recordar o conto de Arthur C. Clarke, “Os Nove Bilhões de Nomes de Deus”. Um grupo de monges do Himalaia contrata os serviços de um supercomputador (e respectiva equipe técnica) para fazer todas as combinações de letras possíveis formando todos os possíveis nomes de Deus. Dizem eles que a função da humanidade é descobrir esses nomes, e quando o fizer, seu trabalho estará encerrado. Certa noite, quando o trabalho está na reta final, faltando apenas uns minutos para ser completado, os técnicos resolvem cair fora dali, porque acham que nada vai acontecer e os monges ficarão furiosos. Quando fogem do mosteiro, um deles olha para o céu. E o conto se encerra com a frase hoje celebre:
“No alto, sem alarde, as estrelas estavam se apagando de uma em uma”.
Essas historias tão distantes entre si correspondem á nossa ânsia profunda de que o mundo faça sentido. O mundo (o Universo) é algo que foi montado, tem um desenho, tem um desígnio, tem um propósito. Estamos aqui para remontar esse quebra-cabeças cósmico. Alguém criou o Plano, estilhaçou tudo e misturou as peças. Estamos aqui para reconstituir o que foi estilhaçado e remontar o desenho primordial. Quando conseguirmos essa proeza, ironicamente, a nossa existência deixará de ter propósito, porque a grande pergunta terá sido respondida, o grande vazio terá sido preenchido.
O ser humano é doido por dar um ponto final a si mesmo. O marxismo anunciou que a historia humana se encerraria com o Comunismo. Em tempos mais recentes, um economistazinho de direita anunciou nos EUA “O Fim da Historia”, ou seja, o capitalismo atual seria o ponto final, o ponto mais alto d evolução social. Não admira que exista, do lado oposto, um exercito incansável de exploradores do desconhecido, de poetas do absurdo, de coros de descontentes, de desarrumadores das idéias, todos dizendo:
Não! Não acabou ainda! Falta muita coisa!
E, como Penélope, desmancham a ciência e a filosofia recém bordadas e começam tudo de novo, para adiar o Instante Terrível.
‘Dirceu Cardoso Gonçalves’
O MELHOR RESULTADO É O COLETIVO
As organizações hoje estão realizando semestralmente “avaliações de desempenho” dos seus colaboradores, com o intuito de redirecionar as suas performances e alcançar uma maior produtividade.
Em função disto foi observado que só as competências individuais como: foco em resultados, responsabilidade, comprometimento, etc, se não forem aliadas a um bom relacionamento interpessoal que facilite o trabalho do grupo, não atinge um resultado significativo para a organização.
Todas as melhores teorias em gestão de pessoas nos levam a concluir que a performance superior de um time só é obtida a partir de três bases de sustentação praticadas continuadamente, ou seja:
- HUMOR: Um clima alegre, aberto, participativo, torna o ambiente feliz e agradável, e assim a rotina e os desafios tendem a pesar menos.
- AMOR: Gostar do que faz, do lugar onde faz e, principalmente, com quem faz o trabalho é uma grande fonte de sinergia, pois leva as pessoas a encarar as conquistas do grupo e as dificuldades de um jeito positivo e com possíveis soluções.
- SIGNIFIADO: Quando a equipa percebe que o trabalho realizado torna a imagem do grupo forte, e, portanto, os resultados do grupo são mais poderosos do que o desempenho individual, passa a existir uma cumplicidade maior.
Hoje o centro de atenção de qualquer gestor, é unir as competências individuais as competências coletivas.
‘Rocha & Coelho’
Em função disto foi observado que só as competências individuais como: foco em resultados, responsabilidade, comprometimento, etc, se não forem aliadas a um bom relacionamento interpessoal que facilite o trabalho do grupo, não atinge um resultado significativo para a organização.
Todas as melhores teorias em gestão de pessoas nos levam a concluir que a performance superior de um time só é obtida a partir de três bases de sustentação praticadas continuadamente, ou seja:
- HUMOR: Um clima alegre, aberto, participativo, torna o ambiente feliz e agradável, e assim a rotina e os desafios tendem a pesar menos.
- AMOR: Gostar do que faz, do lugar onde faz e, principalmente, com quem faz o trabalho é uma grande fonte de sinergia, pois leva as pessoas a encarar as conquistas do grupo e as dificuldades de um jeito positivo e com possíveis soluções.
- SIGNIFIADO: Quando a equipa percebe que o trabalho realizado torna a imagem do grupo forte, e, portanto, os resultados do grupo são mais poderosos do que o desempenho individual, passa a existir uma cumplicidade maior.
Hoje o centro de atenção de qualquer gestor, é unir as competências individuais as competências coletivas.
‘Rocha & Coelho’
O JOVEM NO CRIME
Grupos de especialistas têm-se debruçado em estudos comportamentais com uma única finalidade: saber por que tantos jovens ingressam no crime. O dia a dia, porém, revela que as razoes são muitas e diversas. Famílias desestruturadas, falta de oportunidades para o exercício de alguma atividade profissional, espancamentos, abusos sexuais cometidos até mesmo por familiares, e a sedução do consumismo, do “ganho fácil” com a venda de drogas e de produtos roubados ou furtados explicam parte dessa realidade social. Em muitos desses casos o recrutamento de jovens para o crime é feito dentro da própria residência onde vivem; noutros, o primeiro contato ocorre onde existem agrupamentos e a influencia, nesse caso, parte de colegas com quem tem mais afinidade.
No Brasil é de 30% o percentual de jovens que cumprem pena de prisão em presídios estaduais.isso significa que de cada dez apenados, três são jovens com idade que varia entre os 18 e os 24 anos. A situação é basicamente a mesma na Paraíba. Aqui, como no País, tem-se verificado uma ligeira tendência – para cima – dos números que apontam a presença de jovens nos Presídios pelos mais diversos crimes, sendo que a maioria dessas prisões é por assalto ou trafico de drogas. Depois dos 24 anos constata-se uma inclinação maior para crimes de elevado potencial ofensivo, como homicídio (assassinato) e latrocínio (roubo seguido de morte). Essas duas infrações são típicas da meia-idade, e são motivadas, geralmente, por: ciúmes, vingança, brigas comuns, questões de terras, trafico de drogas e de armas, assaltos a bancos e carro-forte ou questões de propriedade. Ainda, para enriquecimento fácil e demonstração de poder. Mas no quantitativo da população carcerária eles representam uma parcela pouco significativa em comparação ao numero de apenados com idade abaixo dos quarenta anos.
A preocupação com o índice de jovens na criminalidade foi manifestada, recentemente, pelo Secretário Nacional da Juventude, durante o encontro Vozes Jovens, promovido pela pasta da qual é o titular, mais a ONU (Organização para as Nações Unidas) e o Banco Mundial. A própria política nacional de juventude, que avalia a situação dos jovens no país, reconheceu que 71% das instituições que tendem a jovens infratores não o fazem de forma adequada. Muito do que está disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente no é efetivamente aplicado em favor daqueles que deveriam, por lei, ser os maiores beneficiários. E isso quem o diz não sou eu,mas a própria política nacional de juventude.
E com o objetivo de atenuar os efeitos danosos à formação psíquica do jovem infrator enquanto apenado, estamos buscando formas práticas e perfeitamente passíveis de serem aplicadas em favor deles. A Paraíba, em breve, terá um Presídio exclusivo para abrigar infratores jovens. O efeito imediato dessa iniciativa será, no entendimento do Ministério da Justiça, o de afastá-los da companhia e da influencia de presos que, pela experiência e exemplo, se tornam mais perigosos. Ocorre que a potencialidade criminosa dos jovens infratores pode ser aumentada se estimulada por criminosos mais experientes. E a habilidade, a agilidade, a coragem e a determinação desses “noviços” na “profissão” cem como uma luva nas mãos desses promotores do crime.
A construção de unidades prisionais especialmente para jovens deverá criar as condições ideais para que profissionais de diversas áreas; professores, psicólogos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, etc e da própria sociedade, possam atuar de forma ostensiva e satisfatória junto aqueles que, por razoes sócio-culturais, sucumbiram à tentação, em tempo, de salvar a nossa juventude, enquanto não ocorra melhor educação para a manutenção de uma cultura que respeite valores sociais e morais em beneficio de uma exitosa cidadania.
‘Pedro Adelson’
No Brasil é de 30% o percentual de jovens que cumprem pena de prisão em presídios estaduais.isso significa que de cada dez apenados, três são jovens com idade que varia entre os 18 e os 24 anos. A situação é basicamente a mesma na Paraíba. Aqui, como no País, tem-se verificado uma ligeira tendência – para cima – dos números que apontam a presença de jovens nos Presídios pelos mais diversos crimes, sendo que a maioria dessas prisões é por assalto ou trafico de drogas. Depois dos 24 anos constata-se uma inclinação maior para crimes de elevado potencial ofensivo, como homicídio (assassinato) e latrocínio (roubo seguido de morte). Essas duas infrações são típicas da meia-idade, e são motivadas, geralmente, por: ciúmes, vingança, brigas comuns, questões de terras, trafico de drogas e de armas, assaltos a bancos e carro-forte ou questões de propriedade. Ainda, para enriquecimento fácil e demonstração de poder. Mas no quantitativo da população carcerária eles representam uma parcela pouco significativa em comparação ao numero de apenados com idade abaixo dos quarenta anos.
A preocupação com o índice de jovens na criminalidade foi manifestada, recentemente, pelo Secretário Nacional da Juventude, durante o encontro Vozes Jovens, promovido pela pasta da qual é o titular, mais a ONU (Organização para as Nações Unidas) e o Banco Mundial. A própria política nacional de juventude, que avalia a situação dos jovens no país, reconheceu que 71% das instituições que tendem a jovens infratores não o fazem de forma adequada. Muito do que está disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente no é efetivamente aplicado em favor daqueles que deveriam, por lei, ser os maiores beneficiários. E isso quem o diz não sou eu,mas a própria política nacional de juventude.
E com o objetivo de atenuar os efeitos danosos à formação psíquica do jovem infrator enquanto apenado, estamos buscando formas práticas e perfeitamente passíveis de serem aplicadas em favor deles. A Paraíba, em breve, terá um Presídio exclusivo para abrigar infratores jovens. O efeito imediato dessa iniciativa será, no entendimento do Ministério da Justiça, o de afastá-los da companhia e da influencia de presos que, pela experiência e exemplo, se tornam mais perigosos. Ocorre que a potencialidade criminosa dos jovens infratores pode ser aumentada se estimulada por criminosos mais experientes. E a habilidade, a agilidade, a coragem e a determinação desses “noviços” na “profissão” cem como uma luva nas mãos desses promotores do crime.
A construção de unidades prisionais especialmente para jovens deverá criar as condições ideais para que profissionais de diversas áreas; professores, psicólogos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, etc e da própria sociedade, possam atuar de forma ostensiva e satisfatória junto aqueles que, por razoes sócio-culturais, sucumbiram à tentação, em tempo, de salvar a nossa juventude, enquanto não ocorra melhor educação para a manutenção de uma cultura que respeite valores sociais e morais em beneficio de uma exitosa cidadania.
‘Pedro Adelson’
O ESTRUPO DA MONTANHA
Estava quase findando a leitura de um velho texto de Jorge Luis Borges – “Otras inquisiciones” – quando me chega a mensagem de Márcia Costa, doutora em tênis e mais ainda em humanidades, contando a seguinte historieta, que mais parece um conto de terror:
No vale de São Felix, ao Sul do Chile , nascem dois rios alimentados por glaciares que estão aí desde o começo dos tempos. A origem desses cursos produzidos pelo degelo natural das estações quentes do ano garante a pureza das águas.
É a principal fonte de suprimento de água das populações campesinas dessa região. Recentemente, foram descobertas imensas jazidas de ouro e prata no fundo desses glaciares. Para arrancar das entranhas geladas essa riqueza toda será preciso construir dois imensos túneis, numa operação jamais vista desde que o espetáculo do Big Bang que lançou essa bolinha de gude chamada planeta Terra pela calçada da Via Láctea.
Dizem as más línguas que o projeto leva dinheiro de George Bush, o Velho. Não tenho como provar. Não importa quem está pagando: o certo é que o governo chileno já autorizou o estupro da montanha.
Caso venha a se concretizar o tal projeto, nunca a natureza será a mesma nesse lugar. Água pura nem pensar mais. Quanto ao equilíbrio do ecossistema é obvio que sofrerá as penas que todo o desvirginamento sem amor é capaz de trazer.
Mas o que tem a ver os glaciares desvirginados do Chile com a leitura das Inquisiciones de Borges?
Tudo.
Descobre o genial argentino que um imperador chinês chamado Che Huang-ti, foi não apenas o idealizador da Muralha da China, com suas sete ou oito léguas de extensão, como também o sujeito que mandou o seu exército queimar todos os livros existentes no país anteriores àquela dta. Queria que a história começasse com ele.
As duas situações me fazem lembrar a delicadeza da obra de Gabriel Mistral de um lado dessa mesma cordilheira, toda cinzelada com requintes de uma catedral iluminada e do outro a tragédia dessa montanha de cristal barbaramente assassinada pela cobiça dos homens.
O homem não tem limites. Na ternura ou na iniqüidade, na vilania assim como na genialidade, alcança os extremos que Deus e o Diabo escrevem no seu currículo.
É mesmo uma pena que nunca mais se tenha visto nenhum imperador, presidente, sequer inspetor de quarteirão construindo ou botando sentido em monumentos capazes de atravessar uma banda do Mundo.
Já os livros quase todo o dia milhares deles são queimados a céu aberto. Principalmente o Livro da Lei.
‘Luiz Augusto Crispim’
No vale de São Felix, ao Sul do Chile , nascem dois rios alimentados por glaciares que estão aí desde o começo dos tempos. A origem desses cursos produzidos pelo degelo natural das estações quentes do ano garante a pureza das águas.
É a principal fonte de suprimento de água das populações campesinas dessa região. Recentemente, foram descobertas imensas jazidas de ouro e prata no fundo desses glaciares. Para arrancar das entranhas geladas essa riqueza toda será preciso construir dois imensos túneis, numa operação jamais vista desde que o espetáculo do Big Bang que lançou essa bolinha de gude chamada planeta Terra pela calçada da Via Láctea.
Dizem as más línguas que o projeto leva dinheiro de George Bush, o Velho. Não tenho como provar. Não importa quem está pagando: o certo é que o governo chileno já autorizou o estupro da montanha.
Caso venha a se concretizar o tal projeto, nunca a natureza será a mesma nesse lugar. Água pura nem pensar mais. Quanto ao equilíbrio do ecossistema é obvio que sofrerá as penas que todo o desvirginamento sem amor é capaz de trazer.
Mas o que tem a ver os glaciares desvirginados do Chile com a leitura das Inquisiciones de Borges?
Tudo.
Descobre o genial argentino que um imperador chinês chamado Che Huang-ti, foi não apenas o idealizador da Muralha da China, com suas sete ou oito léguas de extensão, como também o sujeito que mandou o seu exército queimar todos os livros existentes no país anteriores àquela dta. Queria que a história começasse com ele.
As duas situações me fazem lembrar a delicadeza da obra de Gabriel Mistral de um lado dessa mesma cordilheira, toda cinzelada com requintes de uma catedral iluminada e do outro a tragédia dessa montanha de cristal barbaramente assassinada pela cobiça dos homens.
O homem não tem limites. Na ternura ou na iniqüidade, na vilania assim como na genialidade, alcança os extremos que Deus e o Diabo escrevem no seu currículo.
É mesmo uma pena que nunca mais se tenha visto nenhum imperador, presidente, sequer inspetor de quarteirão construindo ou botando sentido em monumentos capazes de atravessar uma banda do Mundo.
Já os livros quase todo o dia milhares deles são queimados a céu aberto. Principalmente o Livro da Lei.
‘Luiz Augusto Crispim’
O DIA DO JULGAMENTO
Eu não vim para molestar o sentimento daqueles que perderam o caminho das lágrimas. Nem tampouco para ulcerar a dignidade sacra do pão sobre a mesa. Eu vim, amigo, para falar desta ferramenta fundamental que é a vida, destes olhos naufragados na rebelião de um pranto, da tristeza sem fim de minha mãe que toma remédio de hora em hora, do cansaço comprido de seus olhos pedindo sossego pro mundo — sobretudo, amigo, para falar do regresso imponderável de todas as manhãs da estrela magnífica que clareia como espuma nos olhos da lavadeira, daqueles que trabalham com os mortos e sabem de cor a numeração das lágrimas, dos que constroem apartamentos e dormem em camas de zinco, dos que tiram fotografias ao lado dos políticos, da poesia, sobretudo da poesia, que é mais forte que um boi na canga de seu ofício, da poesia que é mais vulgar que um beijo no prostíbulo da poesia que cancela o desespero que maltrata o sofrimento que proclama a paz da poesia que navega em nosso corpo como um grito numa mansão deserta da poesia que é mais bela que um trem na mata da poesia que é mais bela que um cantil cheio d'água da poesia sobretudo da poesia, que é como a presença de um rio entrando pela noite dos escombros, — ave muito clara, ternura, deixa-me morrer entre as estrelas.
Gabriel Nascente
Gabriel Nascente
MORREU O TEU PERSEGUIDOR
Contou-me João Alfredo que, Numa das grandes empresas de São Paulo, os murais amanheceram com um esquisito aviso:
“Falecimento. Morreu, ontem, quem o perseguia, atrapalhando a sua vida na empresa. Todos, sem exceção, são convidados a comparecer ao velório, das 7 ás 17 horas, no auditório. Após o expediente, ocorrerá o sepultamento. Assina o DP”.
Ninguém se dirigiu aos postos de trabalho. Nunca um anúncio da diretoria tinha sido tão respeitado. Alguns, sem bater o ponto, apressaram-se para ocupar o seu lugar na longa fila que se formou na entrada da Quadra de Esporte, aonde o defunto tinha sido levado, devido ao afluxo de curiosos. Um amigo do falecido muniu-se de uma obsoleta máquina fotográfica. Os mais comovidos improvisaram buquês de variadas flores, colhidas, ali mesmo, nos jardins da repartição.
Lamentava-se a dor da eventual viúva que, conforme o palpite, mudava a cada instante. Não havia barulho, mas, como era de esperar, ouvia-se um constante murmúrio, ora de curiosidade, ora de consternação e até de acusações. A amante de um dos injuriados ensaiou algumas lágrimas, embora somente um morto houvesse sido anunciado. Aqui e acolá, como é comum nos velórios, uma gargalhada ou a costumeira saudação “tudo bem? nunca mais te tinha visto”.
Uns expressavam certeza absoluta ser aquele culpado pelo péssimo clima de fuxicos, pelo mal-estar reinante no trabalho, em como por alguns prejuízos à produção, detectados pelos técnicos no assunto. Outros atribuíam ao morto a falta de ética profissional, na disputa por espaço, em nome da concorrência. Afinal, concorrer é democrático, dizia um, com ar de intelectual. Mas, convenhamos, sem maquiavelismo! Outro acrescentava: DE que adiantou tanta ganância? Um terceiro apontava para o cadáver – todos têm esse destino. É melhor partir sem inimizades. Discutiam também quem ganharia a vaga de chefe deixada pelo morto.
A fila avançava. Ao observarem o esquife, logo retornavam aos seus postos de trabalho, sem comentários. Isso porque, ao se debruçarem sobre o caixão, tinham visto o seu próprio rosto no reflexo de um limpo espelho. Viam, constrangidos, que todos eram o defunto. Quebrou o silencio o poeta Zeca Boêmio que, ao sair da Quadra, filosofou:
- Só a morte nos faz pensar sobre a vida.
E aqui, cabe lembrar Sartre: L’enfer c’est lês autres (o inferno é os outros). Nessa empresa, como na maioria das repartições publicas, obtêm-se promoções, cargos, ascensões, salários, sempre em nome de interesses difusos. O inferno é a mediocridade, tentando denegrir, a qualquer custo, a competência; invejar as qualidades alheias e confundir, utilizando o mecanismo de transferência e expressando incurável neurose de perseguição. Os perseguidores são os “perseguidos”, como também os perseguidos são os “perseguidores” de si próprios. Infelizmente, isso não está morrendo. Ainda gozará de extensa longevidade.
‘Damião Ramos Cavalcanti’
“Falecimento. Morreu, ontem, quem o perseguia, atrapalhando a sua vida na empresa. Todos, sem exceção, são convidados a comparecer ao velório, das 7 ás 17 horas, no auditório. Após o expediente, ocorrerá o sepultamento. Assina o DP”.
Ninguém se dirigiu aos postos de trabalho. Nunca um anúncio da diretoria tinha sido tão respeitado. Alguns, sem bater o ponto, apressaram-se para ocupar o seu lugar na longa fila que se formou na entrada da Quadra de Esporte, aonde o defunto tinha sido levado, devido ao afluxo de curiosos. Um amigo do falecido muniu-se de uma obsoleta máquina fotográfica. Os mais comovidos improvisaram buquês de variadas flores, colhidas, ali mesmo, nos jardins da repartição.
Lamentava-se a dor da eventual viúva que, conforme o palpite, mudava a cada instante. Não havia barulho, mas, como era de esperar, ouvia-se um constante murmúrio, ora de curiosidade, ora de consternação e até de acusações. A amante de um dos injuriados ensaiou algumas lágrimas, embora somente um morto houvesse sido anunciado. Aqui e acolá, como é comum nos velórios, uma gargalhada ou a costumeira saudação “tudo bem? nunca mais te tinha visto”.
Uns expressavam certeza absoluta ser aquele culpado pelo péssimo clima de fuxicos, pelo mal-estar reinante no trabalho, em como por alguns prejuízos à produção, detectados pelos técnicos no assunto. Outros atribuíam ao morto a falta de ética profissional, na disputa por espaço, em nome da concorrência. Afinal, concorrer é democrático, dizia um, com ar de intelectual. Mas, convenhamos, sem maquiavelismo! Outro acrescentava: DE que adiantou tanta ganância? Um terceiro apontava para o cadáver – todos têm esse destino. É melhor partir sem inimizades. Discutiam também quem ganharia a vaga de chefe deixada pelo morto.
A fila avançava. Ao observarem o esquife, logo retornavam aos seus postos de trabalho, sem comentários. Isso porque, ao se debruçarem sobre o caixão, tinham visto o seu próprio rosto no reflexo de um limpo espelho. Viam, constrangidos, que todos eram o defunto. Quebrou o silencio o poeta Zeca Boêmio que, ao sair da Quadra, filosofou:
- Só a morte nos faz pensar sobre a vida.
E aqui, cabe lembrar Sartre: L’enfer c’est lês autres (o inferno é os outros). Nessa empresa, como na maioria das repartições publicas, obtêm-se promoções, cargos, ascensões, salários, sempre em nome de interesses difusos. O inferno é a mediocridade, tentando denegrir, a qualquer custo, a competência; invejar as qualidades alheias e confundir, utilizando o mecanismo de transferência e expressando incurável neurose de perseguição. Os perseguidores são os “perseguidos”, como também os perseguidos são os “perseguidores” de si próprios. Infelizmente, isso não está morrendo. Ainda gozará de extensa longevidade.
‘Damião Ramos Cavalcanti’
Subscrever:
Mensagens (Atom)