Agência FAPESP – Um grupo internacional de caçadores de planetas acaba de descobrir quatro novos desses corpos celestes em órbita de duas estrelas relativamente próximas e que são muito parecidas com o Sol.
Os planetas foram encontrados por astrônomos australianos, britânicos e norte-americanos, com a ajuda dos telescópios Anglo-Australiano e Keck, localizados respectivamente na Austrália e no Havaí. O anúncio foi feito no passado dia 13 de Dezembro.
O grupo não observou os planetas diretamente, tendo usado para a detecção o efeito Doppler, que mede como os planetas são atraídos pela gravidade das estrelas dos sistemas de que fazem parte.
Dos planetas descobertos, três orbitam a estrela 61 Virginis, que é praticamente uma gêmea do Sol, tamanha a semelhança entre as estrelas. As massas dos planetas variam de 5,3 a 24,9 vezes a massa da Terra.
“Esses planetas são especialmente instigantes. Estão próximos, em tamanho, à Netuno, que tem 17 vezes a massa da Terra. Aparentemente, há muitas estrelas parecidas com o Sol que contam com planetas dessa massa ou menor. Isso indica um caminho para descobrirmos planetas menores que podem ser rochosos e com condições favoráveis ao suporte da vida”, disse Chris Tinney, da Universidade de New South Wales, na Austrália, um dos autores do estudo que será publicado em breve no Astrophysical Journal.
A 61 Virginis pode ser vista da Terra a olho nu. Ela se encontra a 28 anos-luz da Terra na constelação de Virgem, que, nesse período do ano pode ser observada algumas horas antes do nascer do Sol.
O quarto planeta descoberto é bem maior, com massa semelhante à de Júpiter, e orbita a estrela 23 Librae, também parecida com o Sol. A estrela está a 84 anos-luz da Terra na constelação de Libra. É o segundo planeta observado nessa constelação, após o primeiro em 2006. O novo planeta tem uma órbita de 14 anos, um pouco maior do que a de Júpiter, que é de 12 anos.
“O que detectamos nesse sistema estelas é muito parecido com o que encontraríamos em nosso Sistema Solar se o estivéssemos observando a distância”, disse Simon O’Toole, do Observatório Anglo-Australiano, outro autor da descoberta.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a colaboração entre equipes e instrumentos, com o uso conjunto, no caso, de dois potentes telescópios. “Com essa colaboração, teremos uma excelente chance de identificar, nos próximos anos, planetas potencialmente habitáveis em órbita de estrelas próximas”, disse Paul Butler, do Instituto Carnegie, em Washington, outro autor do estudo.
Blog de opinião pessoal, critica, independente e rigorosa em termos de analise problematica das questões. Convidados a participar cidadãos com um pensamento livre e descomprometido com obrigações de seguidismo politico, social ou religioso. Aqui, neste espaço, cada um continua a ter as suas opções pessoais, de forma livre. Cada um sabe de si!!!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Mais quente e seco
Agência FAPESP – Dados preliminares do projeto Mudanças Climáticas Impactantes no Brasil, colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Met Office Hadley Centre, do Reino Unido, indicam que o aquecimento global e desmatamentos podem causar grande impacto na floresta amazônica e também afetar o clima local e regional.
Além disso, de acordo com o Inpe, reforçando conclusões de estudos anteriores, a pesquisa aponta que o desmatamento em grande escala poderá tornar o clima mais quente e seco.
Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental. Esse percentual, ou aquecimento global entre 3°C e 4°C, representaria o tipping point, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de entrar em colapso.
O projeto foi apresentado durante evento do Met Office na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague.
O estudo foi desenvolvido a partir de modelos climáticos do Inpe e do centro britânico, que indicam um aquecimento maior nas regiões tropicais amazônicas em relação ao aumento médio de temperatura projetado para as áreas continentais do planeta.
Outro resultado importante é a tendência de tropicalização do clima em parte do Brasil, com duas estações ao ano. Nesse cenário, a primavera pode se tornar tão ou mais quente que o verão em algumas regiões hoje de clima subtropical.
“Esses impactos são extremamente importantes porque reduções de precipitação nas bacias levarão à diminuição da geração de energia hidrelétrica. Os modelos mostram que concentrações mais baixas de dióxido de carbono na atmosfera causam menor aquecimento e, portanto, menos impactos nas chuvas e nos regimes de temperatura e de extremos de clima. Talvez para o Brasil a melhor opção de mitigação dos efeitos do aquecimento global seja reduzir o desmatamento tanto quanto possível”, disse José Antonio Marengo, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Mudanças Climáticas do Inpe.
Também é importante ressaltar que os próprios impactos do desmatamento são maiores em condições de seca. Por conta disso, reduzir o desmatamento ajudaria a manter a floresta mais resistente num clima sob mudanças. Pelo Inpe participam do projeto os pesquisadores Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Luiz Salazar e Marengo.
Enquanto o modelo climático global do Hadley Centre é usado para projetar mudanças do clima em todo o mundo, o modelo climático regional do Inpe fornece maiores detalhes sobre o Brasil para níveis diferentes de aquecimento global.
Mais informações: www.inpe.br
Além disso, de acordo com o Inpe, reforçando conclusões de estudos anteriores, a pesquisa aponta que o desmatamento em grande escala poderá tornar o clima mais quente e seco.
Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental. Esse percentual, ou aquecimento global entre 3°C e 4°C, representaria o tipping point, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de entrar em colapso.
O projeto foi apresentado durante evento do Met Office na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague.
O estudo foi desenvolvido a partir de modelos climáticos do Inpe e do centro britânico, que indicam um aquecimento maior nas regiões tropicais amazônicas em relação ao aumento médio de temperatura projetado para as áreas continentais do planeta.
Outro resultado importante é a tendência de tropicalização do clima em parte do Brasil, com duas estações ao ano. Nesse cenário, a primavera pode se tornar tão ou mais quente que o verão em algumas regiões hoje de clima subtropical.
“Esses impactos são extremamente importantes porque reduções de precipitação nas bacias levarão à diminuição da geração de energia hidrelétrica. Os modelos mostram que concentrações mais baixas de dióxido de carbono na atmosfera causam menor aquecimento e, portanto, menos impactos nas chuvas e nos regimes de temperatura e de extremos de clima. Talvez para o Brasil a melhor opção de mitigação dos efeitos do aquecimento global seja reduzir o desmatamento tanto quanto possível”, disse José Antonio Marengo, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Mudanças Climáticas do Inpe.
Também é importante ressaltar que os próprios impactos do desmatamento são maiores em condições de seca. Por conta disso, reduzir o desmatamento ajudaria a manter a floresta mais resistente num clima sob mudanças. Pelo Inpe participam do projeto os pesquisadores Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Luiz Salazar e Marengo.
Enquanto o modelo climático global do Hadley Centre é usado para projetar mudanças do clima em todo o mundo, o modelo climático regional do Inpe fornece maiores detalhes sobre o Brasil para níveis diferentes de aquecimento global.
Mais informações: www.inpe.br
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Nova Déli lança campanha para combater o ato de urinar em público, será que Portugal vai lançar uma campanha para combater os políticos corruptos...
A capital indiana vai sediar os jogos da Comunidade das Nações em 2010. E lançou uma campanha para combater o ato de urinar, cuspir e jogar lixo nas ruas que passam a poder ser punidos com multas.
Uma boa iniciativa que merecia ser também seguida em Portugal, com uma campanha para combater os políticos e gestores corruptos que se deixam comprar por caixas de peixe ou meia dúzia de euros embrulhados em papel de almaço...
Podia delimitar-se como útil urinar ou defecar publicamente em cima dos políticos corruptos, como forma de os notificar da imagem que tem para os portugueses.
Uma boa iniciativa que merecia ser também seguida em Portugal, com uma campanha para combater os políticos e gestores corruptos que se deixam comprar por caixas de peixe ou meia dúzia de euros embrulhados em papel de almaço...
Podia delimitar-se como útil urinar ou defecar publicamente em cima dos políticos corruptos, como forma de os notificar da imagem que tem para os portugueses.
O senhor Pinto continua sob suspeita publica
O maior dilema politico, e que virou autentico problema nacional relativamente a imagem e credibilidade do PM, é no momento o assunto das escutas telefônicas de conversas do senhor Pinto, com alguns amigos implicados em inúmeros casos de corrupção e outros crimes que tais.
A questão central não é se foi escutado, pois não existem cidadãos acima da lei... ou se não devia ter sido escutado..., pois ninguém obviamente está livre de ser escutado..., mas sim, a verdade sobre o assunto uma vez que já esta mais do que provado que o homem foi escutado, e também já esta alegadamente provado que não pescou nem comeu os robalos, mas quem sabe foi efetivamente convidado para o repasto... pelo menos da duvida ninguém o livra.
Na verdade o desconhecimento real, por parte dos portugueses, em termos de veracidade sobre o muito que se vai escutando por cada rua, esquina, repartição publica, café ou boteco, é que deixa o senhor Pinto sob constante e crescente suspeita publica, e aumento do descrédito na sua credibilidade e honorabilidade como pessoa publica, ainda mais com as responsabilidades nacionais que tem sobre as suas costas.
Os portugueses neste momento do campeonato, e perante o ponto da situação, e em especial do constante vazamento de informações sobre o assunto, tem o direito de saber o que realmente esta a acontecer, uma vez que o assunto por portas e travessas já se tornou do foro publico... e sendo boatos ou verídicos os episódios e as historias que correm, com o constante silencio, só podem agravar as duvidas na mente dos cidadãos, e aumentar o ruído exterior...
“João Massapina”
A questão central não é se foi escutado, pois não existem cidadãos acima da lei... ou se não devia ter sido escutado..., pois ninguém obviamente está livre de ser escutado..., mas sim, a verdade sobre o assunto uma vez que já esta mais do que provado que o homem foi escutado, e também já esta alegadamente provado que não pescou nem comeu os robalos, mas quem sabe foi efetivamente convidado para o repasto... pelo menos da duvida ninguém o livra.
Na verdade o desconhecimento real, por parte dos portugueses, em termos de veracidade sobre o muito que se vai escutando por cada rua, esquina, repartição publica, café ou boteco, é que deixa o senhor Pinto sob constante e crescente suspeita publica, e aumento do descrédito na sua credibilidade e honorabilidade como pessoa publica, ainda mais com as responsabilidades nacionais que tem sobre as suas costas.
Os portugueses neste momento do campeonato, e perante o ponto da situação, e em especial do constante vazamento de informações sobre o assunto, tem o direito de saber o que realmente esta a acontecer, uma vez que o assunto por portas e travessas já se tornou do foro publico... e sendo boatos ou verídicos os episódios e as historias que correm, com o constante silencio, só podem agravar as duvidas na mente dos cidadãos, e aumentar o ruído exterior...
“João Massapina”
sábado, 5 de dezembro de 2009
UM CERTO ODOR SALAZARENTO
O que me provoca uma repulsa epidérmica neste processo (no sentido dialéctico do termo, não no sentido jurídico-burocrático) de «Face Oculta» são três coisas:
• Um ar certo de leviandade generalizada
• Um odor forte de ausência de profissionalismo
• Um toque fatal de moralismo provinciano
Confesso que a junção destes três ingredientes me parece uma amostra de um caldo de cultura do piorzinho que Portugal tem. Um compósito de resíduos inquisitoriais-pidescos com cheirete a salazarenta sacristia, tudo muito repelente e de má memória, insuportável e incompatível com a Democracia. Leviandade e incompetência profissionais pintadas por fora com umas tintas de moralismo são, de facto, um traço típico de um certo Portugal salazarento.
Confesso que não percebo o “moralismo”, vindo de quem vem, e muito menos entendo o ar de leviandade e falta de profissionalismo em pessoas e cargos a que tal não se pode admitir. Fica-se com a ideia de que os que têm como função e obrigação velar pelo Estado de Direito nem se preocupam já sequer com o direito de Estado e passaram no seu quotidiano a ignorá-lo. E tão evidente isso é que até Proença de Carvalho se permite, sob forma interrogativa, declinar o tema Agentes da lei fora da lei...
A confirmarem-se estes ares, odores e toques, então, o Estado português terá entrado em anomia e ter-se-á tornado disfuncional e contraproducente… E isso obriga cada português a tirar conclusões. E a primeira será, nesse cenário, que o Estado Português falha a única missão que o justifica e legitima e pela qual lhe pagamos: garantir a segurança e o bem-estar dos cidadãos. E, se o Estado falha, serão os próprios cidadãos a ter que assumir o essencial da sua segurança e do seu bem-estar… Para ter umas luzinhas sobre o império futuro (mas próximo) deste novo “sistema D”, leia-se John Robb que tem algumas pistas (“power to the people” e “resilient communities”) sobre o assunto.
Gostaria – confesso-o - que Robb estivesse totalmente enganado, na análise e nas propostas, mas quanto mais o leio e quanto mais observo o que se passa à minha volta mais dúvidas tenho sobre as possibilidades de realização deste meu desejo.
José Mateus Cavaco Silva
• Um ar certo de leviandade generalizada
• Um odor forte de ausência de profissionalismo
• Um toque fatal de moralismo provinciano
Confesso que a junção destes três ingredientes me parece uma amostra de um caldo de cultura do piorzinho que Portugal tem. Um compósito de resíduos inquisitoriais-pidescos com cheirete a salazarenta sacristia, tudo muito repelente e de má memória, insuportável e incompatível com a Democracia. Leviandade e incompetência profissionais pintadas por fora com umas tintas de moralismo são, de facto, um traço típico de um certo Portugal salazarento.
Confesso que não percebo o “moralismo”, vindo de quem vem, e muito menos entendo o ar de leviandade e falta de profissionalismo em pessoas e cargos a que tal não se pode admitir. Fica-se com a ideia de que os que têm como função e obrigação velar pelo Estado de Direito nem se preocupam já sequer com o direito de Estado e passaram no seu quotidiano a ignorá-lo. E tão evidente isso é que até Proença de Carvalho se permite, sob forma interrogativa, declinar o tema Agentes da lei fora da lei...
A confirmarem-se estes ares, odores e toques, então, o Estado português terá entrado em anomia e ter-se-á tornado disfuncional e contraproducente… E isso obriga cada português a tirar conclusões. E a primeira será, nesse cenário, que o Estado Português falha a única missão que o justifica e legitima e pela qual lhe pagamos: garantir a segurança e o bem-estar dos cidadãos. E, se o Estado falha, serão os próprios cidadãos a ter que assumir o essencial da sua segurança e do seu bem-estar… Para ter umas luzinhas sobre o império futuro (mas próximo) deste novo “sistema D”, leia-se John Robb que tem algumas pistas (“power to the people” e “resilient communities”) sobre o assunto.
Gostaria – confesso-o - que Robb estivesse totalmente enganado, na análise e nas propostas, mas quanto mais o leio e quanto mais observo o que se passa à minha volta mais dúvidas tenho sobre as possibilidades de realização deste meu desejo.
José Mateus Cavaco Silva
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Haverá asas brancas nas costas de Pinto Monteiro?
Vamos ver se nos entendemos: Fernando José Pinto Monteiro é procurador-geral da República desde Outubro de 2006 e a sua nomeação foi uma escolha pessoal do primeiro-ministro José Sócrates. Pinto Monteiro, coitado, não tem culpa disso - são as regras da pátria -, mas factos são factos: ele deve a José Sócrates o gabinete mais espaçoso no palacete da Procuradoria. Não foi o Parlamento que o pôs lá. Não foi o Presidente da República (formalismos à parte) que o pôs lá. Foi o Governo, foi este primeiro-ministro.
Implicação óbvia: nem por um momento Pinto Monteiro pode deixar transparecer que a sua independência possa estar em causa quando se trata de lidar com suspeitas que recaem sobre o primeiro-ministro. Mas é isso que tem transparecido. Pinto Monteiro teve azar, porque ninguém poderia imaginar que o percurso de Sócrates contivesse material capaz de animar cinco séries inteiras do CSI. Só que ele, como PGR, também não tem dado mostras do distanciamento que lhe seria exigido no caso "Face Oculta", em que, se não está a proteger o primeiro-ministro a todo o custo, está pelo menos a imitar muito bem.
Os golpes de cintura que Pinto Monteiro tem dado para impedir que se saiba o que quer que seja sobre as certidões emitidas pelo juiz de Aveiro são dignos de um malabarista do circo Chen. A coisa chegou a tal ponto que a própria associação dos juízes se viu obrigada a emitir um comunicado duríssimo, em que fala de uma "inexplicada divergência de valoração dos indícios que foi feita na comarca de Aveiro e pelo PGR", considerando que "os deveres de transparência e de informação impõem o esclarecimento daqueles equívocos", e que é "imperioso" que "se proceda à publicitação das decisões do PGR e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça".
Os juízes têm toda a razão. Afinal, que argumentos apresentou até agora o procurador para mandar as certidões e as suspeitas sobre Sócrates para o baú? Zero. Pinto Monteiro disse: "Não há indícios probatórios" e esperou que todos acreditássemos. O procurador deu-nos a sua palavra e nada mais. Ora, diante de todas as notícias vindas a público, qualquer português que não viva à sombra do guarda-sol cor-de-rosa perguntar-se-á: e porque vou eu acreditar na palavra, e nada mais do que a palavra, de um homem que foi posto naquele lugar por José Sócrates?
As regras institucionais existem exactamente para não estarmos apenas dependentes da boa vontade e do carácter de determinados homens. Se fôssemos todos anjos, não precisaríamos de leis nem de edifícios jurídicos. Ora, até este momento, Pinto Monteiro limitou-se a apontar para as suas costas e a rezar para que o povo ali vislumbrasse um belo tufo de penas brancas. Eu, infelizmente, não vislumbro.
“João Miguel Tavares”
Implicação óbvia: nem por um momento Pinto Monteiro pode deixar transparecer que a sua independência possa estar em causa quando se trata de lidar com suspeitas que recaem sobre o primeiro-ministro. Mas é isso que tem transparecido. Pinto Monteiro teve azar, porque ninguém poderia imaginar que o percurso de Sócrates contivesse material capaz de animar cinco séries inteiras do CSI. Só que ele, como PGR, também não tem dado mostras do distanciamento que lhe seria exigido no caso "Face Oculta", em que, se não está a proteger o primeiro-ministro a todo o custo, está pelo menos a imitar muito bem.
Os golpes de cintura que Pinto Monteiro tem dado para impedir que se saiba o que quer que seja sobre as certidões emitidas pelo juiz de Aveiro são dignos de um malabarista do circo Chen. A coisa chegou a tal ponto que a própria associação dos juízes se viu obrigada a emitir um comunicado duríssimo, em que fala de uma "inexplicada divergência de valoração dos indícios que foi feita na comarca de Aveiro e pelo PGR", considerando que "os deveres de transparência e de informação impõem o esclarecimento daqueles equívocos", e que é "imperioso" que "se proceda à publicitação das decisões do PGR e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça".
Os juízes têm toda a razão. Afinal, que argumentos apresentou até agora o procurador para mandar as certidões e as suspeitas sobre Sócrates para o baú? Zero. Pinto Monteiro disse: "Não há indícios probatórios" e esperou que todos acreditássemos. O procurador deu-nos a sua palavra e nada mais. Ora, diante de todas as notícias vindas a público, qualquer português que não viva à sombra do guarda-sol cor-de-rosa perguntar-se-á: e porque vou eu acreditar na palavra, e nada mais do que a palavra, de um homem que foi posto naquele lugar por José Sócrates?
As regras institucionais existem exactamente para não estarmos apenas dependentes da boa vontade e do carácter de determinados homens. Se fôssemos todos anjos, não precisaríamos de leis nem de edifícios jurídicos. Ora, até este momento, Pinto Monteiro limitou-se a apontar para as suas costas e a rezar para que o povo ali vislumbrasse um belo tufo de penas brancas. Eu, infelizmente, não vislumbro.
“João Miguel Tavares”
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Honduras: O jogo vai para a prorrogação
Ahora es esta la batalla
Pa’que vuelva Manuel Zelaya
E parece que vai ter de chegar aos pênaltis. O governo golpista de Roberto Micheletti resolveu não ceder nem mesmo diante do acordo que fez com o governo norte-americano. Para este, fica a escolha entre ter encenado um acordo para também ganhar tempo e favorecer os golpistas, ou não ter forças para enfrentar uma situação política que vai embaraçar – embaçar – toda sua relação com a América Latina e prejudicar sua posição perante sua oposição interna.
Dia 29 deverão se realizar as eleições gerais em Honduras. Quase toda a América Latina, do México à Argentina e ao Chile, está comprometida com o não reconhecimento dessas eleições promovidas sob a égide do golpe. O presidente (deposto, suspenso) Manuel Zelaya chamou o boicote às urnas. O candidato de esquerda Carlos Reyes retirou sua candidatura; outros cinco candidatos continuam inscritos, entre eles os favoritos Porfírio Lobo Sosa, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal.
A situação internacional tornou-se mais complicada. Para a presidência do Conselho da União Europeia elegeu-se no dia 19 de novembro o primeiro ministro belga, do Partido Democrata Cristão, Herman Van Rompuy. Ele assume no dia 1º de janeiro de 2010, mas desde já isso significa uma inclinação mais para a direita. Se nenhum país reconheceu o governo de Micheletti, é possível que alguns venham a fazê-lo depois da eleição. Um indício disso é a posição dos dois partidos que compõem o atual governo alemão. O governo de Berlim, seguindo os demais da União Européia, não reconheceu o governo golpista. Mas em compensação, informações na imprensa local dizem que a União Democrata Cristã, partido da chanceler Ângela Merkel, apoiaria o Partido Nacional, enquanto o FDP, do ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, apoiaria o Partido Liberal.
Ainda é impossível dizer o que acontecerá. Tudo vai depender do comparecimento às urnas, do desempenho das Forças Armadas, da possibilidade da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado em Honduras, de que Carlos Reyes é líder, capitalizar o boicote. Certamente tudo vai depender também da até aqui mantida unidade de 99% dos governos da OEA contra os golpistas e contra a atitude complacente dos Estados Unidos. Quanto a este governo, a impressão que dá é a de não só estar enredado em suas contradições internas e confrontos externos (com o governo de Hugo Chávez, por exemplo), como a de estar disposto a sacrificar o futuro de suas relações na região por causa de suas lealdades do passado. Ou seja, o governo de Barck Obama pode estar muito bem dando um pequeno passo para o abismo em matéria de relações diplomáticas na América Latina enquanto olha no espelho retrovisor.
Quanto à direita latino-americana, esta almeja, evidentemente, o sucesso golpista.
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.
Pa’que vuelva Manuel Zelaya
E parece que vai ter de chegar aos pênaltis. O governo golpista de Roberto Micheletti resolveu não ceder nem mesmo diante do acordo que fez com o governo norte-americano. Para este, fica a escolha entre ter encenado um acordo para também ganhar tempo e favorecer os golpistas, ou não ter forças para enfrentar uma situação política que vai embaraçar – embaçar – toda sua relação com a América Latina e prejudicar sua posição perante sua oposição interna.
Dia 29 deverão se realizar as eleições gerais em Honduras. Quase toda a América Latina, do México à Argentina e ao Chile, está comprometida com o não reconhecimento dessas eleições promovidas sob a égide do golpe. O presidente (deposto, suspenso) Manuel Zelaya chamou o boicote às urnas. O candidato de esquerda Carlos Reyes retirou sua candidatura; outros cinco candidatos continuam inscritos, entre eles os favoritos Porfírio Lobo Sosa, do Partido Nacional, e Elvin Santos, do Partido Liberal.
A situação internacional tornou-se mais complicada. Para a presidência do Conselho da União Europeia elegeu-se no dia 19 de novembro o primeiro ministro belga, do Partido Democrata Cristão, Herman Van Rompuy. Ele assume no dia 1º de janeiro de 2010, mas desde já isso significa uma inclinação mais para a direita. Se nenhum país reconheceu o governo de Micheletti, é possível que alguns venham a fazê-lo depois da eleição. Um indício disso é a posição dos dois partidos que compõem o atual governo alemão. O governo de Berlim, seguindo os demais da União Européia, não reconheceu o governo golpista. Mas em compensação, informações na imprensa local dizem que a União Democrata Cristã, partido da chanceler Ângela Merkel, apoiaria o Partido Nacional, enquanto o FDP, do ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, apoiaria o Partido Liberal.
Ainda é impossível dizer o que acontecerá. Tudo vai depender do comparecimento às urnas, do desempenho das Forças Armadas, da possibilidade da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado em Honduras, de que Carlos Reyes é líder, capitalizar o boicote. Certamente tudo vai depender também da até aqui mantida unidade de 99% dos governos da OEA contra os golpistas e contra a atitude complacente dos Estados Unidos. Quanto a este governo, a impressão que dá é a de não só estar enredado em suas contradições internas e confrontos externos (com o governo de Hugo Chávez, por exemplo), como a de estar disposto a sacrificar o futuro de suas relações na região por causa de suas lealdades do passado. Ou seja, o governo de Barck Obama pode estar muito bem dando um pequeno passo para o abismo em matéria de relações diplomáticas na América Latina enquanto olha no espelho retrovisor.
Quanto à direita latino-americana, esta almeja, evidentemente, o sucesso golpista.
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.
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