Um dos princípios mais básicos da democracia é exatamente que qualquer tema pode e deve ser discutido pela cidadania. É assim, dizem os mais entendidos na nobre arte da política, que se forma a opinião publica esclarecida, responsável, e, é precisamente desse discutir sadio que em ultima instancia, nas democracias, se fazem, ou deveriam fazer, as escolhas periódicas mais acertadas, entre os legítimos dirigentes políticos dos países.
Nesta base de cidadania, não se pode esconder a importância de debater o Portugal de hoje, e as necessárias mudanças que a médio prazo urge efectuar.
O que Portugal mais necessita neste preciso momento da sua historia é ter uma oposição que mesmo desunida, seja forte em cada um dos seus pilares e com capacidade de liderança e afirmação pessoal e com o pragmatismo necessário para descer a terra e dizer aos portugueses o que afinal esta a faltar, e o que querem mudar.
Mudar!!!
Sim mudar! Porque os portugueses estão realmente a espera é de uma mudança de políticas, e de sociedade. Uma mudança de rumo em termos de políticas sociais, judiciais, econômicas e da mais do que necessária nova visão sobre aquilo que mais diretamente afeta as famílias e, um e cada um dos portugueses, que é a sua vida concreta do dia-a-dia, e o funcionamento da sociedade em que estão a viver.
Se por um lado cabe a cada um dos portugueses mudar a sua própria vida, e adaptar a sua vivencia individual as novas realidades. Por outro lado; cabe em primeiro lugar ao governo estabelecer as prioridades e condições necessárias para que essas adaptações de cada cidadão possam acontecer e ter êxitos pessoais e efeitos práticos para o bem coletivo do país. Se assim acontecesse; Portugal estaria a construir-se de um modo bem diferente, sem duvidas para bem melhor do que aquilo que podemos observar atualmente.
O que Portugal necessita afinal (e uma vez que não se vislumbra, nos tempos mais próximos, outra formação política com capacidade de mobilização eleitoral, que garanta uma alternativa de governo, minimamente credível) é a emancipação do PSD, que nos últimos anos deixou de pensar e agir pela sua própria inteligência política interna, (que sem duvida alguma a tem, mas infelizmente esta toda, ou quase toda na reserva) e passou a atuar de acordo com o gosto e as vontades de quem; governa o País, para assim (erradamente) não perder a bolsa política (do centrãoooo) que entende sustentar infinitamente os partidos que governam Portugal desde praticamente o 26 de Abril de 1974.
Mas atenção que mais dia, menos dia isso vai acabar por mudar, pois alguém vai acabar por descobrir como mudar a alternância de poder em Portugal. Quando esse dia chegar; tanto o Partido Socialista, como o PSD vão ter que se reformular a toda a velocidade, ou então vão desmembrar-se, e cada militante e simpatizante seguirá o seu rumo natural, integrando as novas alternativas, que mais cedo ou mais tarde vão nascer, pois sinto que os portugueses estão cada vez mais cansados desse derby tipo Benfica-Sporting, que também um dia viu a entrada do Porto no caminho, e agora até já tem um Braga pelo meio.
Portugal necessita como de pão para a boca de uma oposição credível, e independente de quem governa neste ou naquele momento. Que mostre á sociedade as mais diversas opções possíveis e imaginarias de políticas, de vontades e de quereres. Não podemos continuar a ter uma oposição que tenha medo de perder eleições pelo simples facto de que acha politicamente incorreta uma ou muitas políticas que se mostram bem mais necessárias para a sociedade que uma tonelada de fantasias para tentar conquistar votos, que mais cedo ou mais tarde se vão esfumar quando a realidade vier a tona da água.
Sinceramente, e não querendo ser demasiado séptico, ou premonitório, mas não vejo que o PSD se consiga emancipar com a liderança de Pedro Passos Coelho, porque a sua equipa de trabalho, conhecida até este momento, e salvo raras exceções, esta pejada de profissionais da política, que fora dela mais nada sabem fazer na vida.
Mas por outro lado, o PSD tem a seu favor a situação de degradação do Partido Socialista enquanto governo, que esta de tal forma apodrecida, que qualquer que seja a liderança do maior partido da oposição, tudo se conjuga para que mais cedo ou mais tarde a cadeira se parta, e o senhor Pinto, caia de costas no chão. Só não sei é se esta queda do senhor Pinto poderá ser ainda pior que a sua manutenção, pois o que se seguirá pode ser infinitamente pior do que aquilo que de mau já hoje temos ao nosso dispor.
As únicas, das muitas duvidas que ficam assim no ar; é de se saber se o PSD com PPC a liderar será capaz de mostrar as diferenças, se é que elas realmente existem em termos programáticos, e de reunir a sua volta a quantidade necessária e suficiente de apoios eleitorais, ditos votos, para conseguir formar um governo isoladamente sem a ‘chaga’ que é ter que dividir poder, idéias, projetos com formações políticas que apenas sonham com a chegada ao ‘poleiro’ para dividirem entre si o quinhão de lugares governamentais. Dito isto falta ainda saber se o PSD será também capaz de lançar para os lugares governamentais, não os amigos dos amigos e os desempregados da política, mas os verdadeiros gestores públicos e privados, independentemente da filiação partidária, que sabem como mais ninguém as mil e uma formas de alterar o estado degradante em termos econômicos, sociais e políticos a que chegou Portugal.
Quando falo de ‘chagas’; falo obviamente do CDS que sob a liderança de Paulo Portas, tanto na versão um, de que até conheci in-loco a fermentação, como na versão dois, mais não tem feito que trabalhar para chegar ao patamar de lugares governamentais, nem que para isso se tenha que ‘prostituir’ em termos de proximidade a famílias políticas que nada tem que ver em termos programáticos ou ideológicos com aquilo em que se transformou o CDS, dito também de PP de hoje. Por vezes, parece que o CDS, formação política dita de direita, mais parece um partido político acantonado em todas as possibilidades e espaços que lhe possam possibilitar uma chegada rápida e eficaz a casa da divisão dos quinhões ministeriais.
Um partido responsável, não pode estar dependente deste ou daquele resultado, para escolher o caminho a seguir. Um partido responsável, liderado por políticos responsáveis tem que ter a capacidade de dizer desde logo – nos vamos por ai, e por ali, pois o nosso caminho é este!
O CDS de hoje não tem caminho, tem sim motivações pessoais e de lugares para optar por certos caminhos, mesmo que estes possam conduzir a verdadeiros abismos como aconteceu na ultima participação (desastre) governamental ao lado do PSD de Santana Lopes.
O que fez a emancipação do PSD em momentos chave da política nacional, e o conduziu por caminhos de determinante e fundamental importância na historia da democracia portuguesa, ajudando a construir a diferença, foi precisamente essa emancipação, essa diferença bem vincada e marcante em relação aos outros. Sem ela, essa tal emancipação, essa diferença; o PSD nunca passou de um partido igual a tantos outros, com políticas e posições iguais as de tantos outros, e com essa igualdade nunca conseguiu mudar nada na sociedade, e muito menos conseguiu marcar o seu território político e de base social.
Os portugueses já por mais do que uma vez demonstraram que gostam e preferem a diferença. Francisco Sá Carneiro foi, no seu tempo, a diferença ao afirmar categoricamente que Portugal devia seguir o rumo traçado por uma aliança política, que venceu e convenceu a maioria dos portugueses.
Mais tarde; Cavaco Silva voltou a emancipar o partido, e a marcar um caminho diferente, desde logo com a escolha do candidato presidencial próprio, e a afirmação de um caminho bem diferente daquele que estava a ser traçado até então com o projeto de bloco central apoiado nas idéias de outrem que não as de políticos do PSD.
Depois dele, depois de Cavaco, e goste-se ou não da figura, o PSD não voltou, até ao dia de hoje, a ter emancipação política, e viveu na sombra de políticos na sua maioria cinzentos que traçaram caminhos voltados para a projeção pessoal esquecendo que primeiro está Portugal e os portugueses, depois o partido e nunca eles próprios, que ali chegam para servir e não para se servirem.
É urgente reformarem o PSD, para que essa emancipação retorne a casa que sempre pautou a sua doutrina pelo reformismo, e que de a uns tempos a esta parte vive no mais profundo e empedernido conservadorismo e oportunismo político.
*J.M. – 2010*
Blog de opinião pessoal, critica, independente e rigorosa em termos de analise problematica das questões. Convidados a participar cidadãos com um pensamento livre e descomprometido com obrigações de seguidismo politico, social ou religioso. Aqui, neste espaço, cada um continua a ter as suas opções pessoais, de forma livre. Cada um sabe de si!!!
sábado, 17 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A VIAGEM CANINA DE UMA MULHER SEM PECADOS
Na ladeira da Rua da Republica, perto de um boteco, perambula uma prostituta jovem, habitualmente acompanhada de um cão. Ela não veste Prada. Nem o cão. Seria a nova Madalena?
Passo por ali, quando vou mandar emoldurar quadros, no caminho da Praça da Pedra. A única praça que não é do povo. É minúscula e o povo, como sempre... exagerado.
Já vi essa dona com vários cães diferentes. Geralmente são vira-latas ou misturados. Tanto faz.
Dias atrás andava com um daqueles que parece uma salsicha, aliás, prostituta não gosta de sexo. Nos últimos dias, é um cão corintiano, alvi-negro de pelagem longa.
Baixinha, loira, veste sempre camisetas com letriros no peito, como se imitasse as de Marcos Pires. Deve ter ojeriza ao conluio e não é para menos.
De uns tempos para cá, quando a vejo, já não foco o olhar nela, nem no cão, mas na banalidade à sua volta. Invariavelmente, olham-na inquietação. São anciãos caindo aos pedaços...
Todas as vezes que nos cruzamos, atento mais para a coreografia dos cães e quase nada para a prostituta. Os animais sentam, deitam, equilibram-se em duas patas, nada além. É a tradução do tempo.
A mulher fala com os cães em voz baixa, não faz gestos abruptos a um passo dos esquecidos, na mais paraibana das praças – João Pessoa.
Ora, dirão os pedigree, o vira-lata tem o ouvido melhor que o nosso, por isso não precisa gritar. Ah, é? Banho de tristeza nos olhos daquela mulher. Que lei da física, digo Freud, explica?
Não sei dizer o que mais lhe agrada no coito. Não fui lá. No fundo, é natural uma mulher dominando o “animal”, fazendo-lhe submisso. Qual?
Sonho com o dia em que todas as relações sejam como a dessa puta com os cães: cumprindo a missão de viver.
‘Kubitschek Pinheiro’
Passo por ali, quando vou mandar emoldurar quadros, no caminho da Praça da Pedra. A única praça que não é do povo. É minúscula e o povo, como sempre... exagerado.
Já vi essa dona com vários cães diferentes. Geralmente são vira-latas ou misturados. Tanto faz.
Dias atrás andava com um daqueles que parece uma salsicha, aliás, prostituta não gosta de sexo. Nos últimos dias, é um cão corintiano, alvi-negro de pelagem longa.
Baixinha, loira, veste sempre camisetas com letriros no peito, como se imitasse as de Marcos Pires. Deve ter ojeriza ao conluio e não é para menos.
De uns tempos para cá, quando a vejo, já não foco o olhar nela, nem no cão, mas na banalidade à sua volta. Invariavelmente, olham-na inquietação. São anciãos caindo aos pedaços...
Todas as vezes que nos cruzamos, atento mais para a coreografia dos cães e quase nada para a prostituta. Os animais sentam, deitam, equilibram-se em duas patas, nada além. É a tradução do tempo.
A mulher fala com os cães em voz baixa, não faz gestos abruptos a um passo dos esquecidos, na mais paraibana das praças – João Pessoa.
Ora, dirão os pedigree, o vira-lata tem o ouvido melhor que o nosso, por isso não precisa gritar. Ah, é? Banho de tristeza nos olhos daquela mulher. Que lei da física, digo Freud, explica?
Não sei dizer o que mais lhe agrada no coito. Não fui lá. No fundo, é natural uma mulher dominando o “animal”, fazendo-lhe submisso. Qual?
Sonho com o dia em que todas as relações sejam como a dessa puta com os cães: cumprindo a missão de viver.
‘Kubitschek Pinheiro’
A POTESTADE
Sonhei que estava flutuando no espaço sideral, cercado de constelações, de portentos, de trevas fulgurantes. A Potestade rodeou-me com a sua Presença, e dirigiu-se a mim:
“Não crês na minha existência”, disse-me ela – e cada célula do meu corpo reverberou como um tímpano. “Por isso prefiro dirigir-me à totalidade do teu Ser, que só emerge quando adormece o cão de guarda que te sustenta vida afora, e ao qual chamas de Eu, ou Consciência”. Eu estava aterrado e sem palavras; só me restava escutar. Sentia-me esvoaçar em todas as direções, como uma pluma no epicentro de um tornado. “Admiro tua fidelidade a ti próprio”, prosseguiu. “São muitos os que não crêem, mas dizem crer por covardia, por conformismo, ou por imitação. Mais importante que a fé é a verdade. Mais importante do que crer em mim é ter a coragem de olhar dentro de si mesmo e dizer sem rebuços o que vê.”
O que via eu? Via galáxias coruscantes, aglomerados densos de matéria escura, estrelas que faiscavam como os grãos de areia no interior de um tornado. E aquela voz, que prosseguiu: Deves estar te perguntando – por que eu? Por que logo eu fui chamado para este Contato, esta Revelação? E te responderei usando a linguagem do teu tempo e do teu povo. O Universo está contido em ti. Em teu corpo e tua alma estão gravados de forma; indelével todas as informações necessárias para reconstruir tudo isto que vês à tua volta. Fosse este Universo destruído, bastaria que tu sobrevivesses para que toda a historia dele pudesse ser reconstruída, a partir das leis que governam os teus átomos e as tuas células vivas. O Universo é auto-reflexo: está todo gravado em cada uma das partes vivas que contém”. Fez uma pausa. “Isto vale não só para ti, é claro, mas para qualquer outra criatura. Se te escolhi foi por mero Acaso. Quero te mostrar algo”.
Fez um gesto com a mão, e a esse gesto descerrou-se uma cortina. Ms como posso dizer “um gesto”, se sua presença ocupava toda a face interna da esfera de espaço que me continha, como falar em mão se a sua mera impressão digital era composta pelo turbilhão de galáxias que ali revoluteavam? Mas a esse gesto uma Dimensão abriu-se e vi ali justapostos todos os tempos, todos os passados e futuros, todos os fios entrelaçados dos mundos possíveis. “O mundo em que vives passa por uma crise que pode destruí-lo”, prosseguiu a Voz. “Falo do teu planeta, e do teu país. Quando crises assim se anunciam, escolho um habitante para me informar sobre a necessidade desse mundo. E é isso que te pergunto: vale a pena que esse planeta e esse país existam? Vale a pena que prossigam? Se achares que não, desaparecerás com eles. Mas se achares que sim, desaparecerás só tu. Teu nome será obliterado, teus atos esquecidos, teus descendentes se estiolarão. Teu país prosseguirá, e desaparecerás apenas tu. Não tens que me responder agora. Vai – desperta!” Neste instante o celular tocou na mesa de cabeceira. Atendi, e era engano.
‘Braulio Tavares’
“Não crês na minha existência”, disse-me ela – e cada célula do meu corpo reverberou como um tímpano. “Por isso prefiro dirigir-me à totalidade do teu Ser, que só emerge quando adormece o cão de guarda que te sustenta vida afora, e ao qual chamas de Eu, ou Consciência”. Eu estava aterrado e sem palavras; só me restava escutar. Sentia-me esvoaçar em todas as direções, como uma pluma no epicentro de um tornado. “Admiro tua fidelidade a ti próprio”, prosseguiu. “São muitos os que não crêem, mas dizem crer por covardia, por conformismo, ou por imitação. Mais importante que a fé é a verdade. Mais importante do que crer em mim é ter a coragem de olhar dentro de si mesmo e dizer sem rebuços o que vê.”
O que via eu? Via galáxias coruscantes, aglomerados densos de matéria escura, estrelas que faiscavam como os grãos de areia no interior de um tornado. E aquela voz, que prosseguiu: Deves estar te perguntando – por que eu? Por que logo eu fui chamado para este Contato, esta Revelação? E te responderei usando a linguagem do teu tempo e do teu povo. O Universo está contido em ti. Em teu corpo e tua alma estão gravados de forma; indelével todas as informações necessárias para reconstruir tudo isto que vês à tua volta. Fosse este Universo destruído, bastaria que tu sobrevivesses para que toda a historia dele pudesse ser reconstruída, a partir das leis que governam os teus átomos e as tuas células vivas. O Universo é auto-reflexo: está todo gravado em cada uma das partes vivas que contém”. Fez uma pausa. “Isto vale não só para ti, é claro, mas para qualquer outra criatura. Se te escolhi foi por mero Acaso. Quero te mostrar algo”.
Fez um gesto com a mão, e a esse gesto descerrou-se uma cortina. Ms como posso dizer “um gesto”, se sua presença ocupava toda a face interna da esfera de espaço que me continha, como falar em mão se a sua mera impressão digital era composta pelo turbilhão de galáxias que ali revoluteavam? Mas a esse gesto uma Dimensão abriu-se e vi ali justapostos todos os tempos, todos os passados e futuros, todos os fios entrelaçados dos mundos possíveis. “O mundo em que vives passa por uma crise que pode destruí-lo”, prosseguiu a Voz. “Falo do teu planeta, e do teu país. Quando crises assim se anunciam, escolho um habitante para me informar sobre a necessidade desse mundo. E é isso que te pergunto: vale a pena que esse planeta e esse país existam? Vale a pena que prossigam? Se achares que não, desaparecerás com eles. Mas se achares que sim, desaparecerás só tu. Teu nome será obliterado, teus atos esquecidos, teus descendentes se estiolarão. Teu país prosseguirá, e desaparecerás apenas tu. Não tens que me responder agora. Vai – desperta!” Neste instante o celular tocou na mesa de cabeceira. Atendi, e era engano.
‘Braulio Tavares’
A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO
O silencio é necessário em muitas ocasiões, mas é preciso sempre ser sincero; pode-se reter alguns pensamentos, mas no se deve camuflar nenhum. Há maneiras de calar sem fechar o coração; de ser discreto sem ser sombrio e taciturno; de ocultar algumas verdades sem as cobrir de mentiras.
Só se deve deixar de calar quando se tem algo a dizer que valha mais do que o silencio.
O tempo de calar deve sempre vir em primeiro lugar; e nunca se pode falar quando não se aprendeu antes a calar. O homem nunca é tão dono de si mesmo quanto ao silencio. Fora dele, parece derramar-se por assim dizer, para fora de si e dissipar-se pelo discurso; de modo que ele pertence menos a si mesmo do que aos outros.
Quando se tem uma coisa importante para dizer, deve prestar a ela uma atenção muito especial: é necessário dizê-la a si mesmo e, depois de tal precaução, voltar a dizê-la, para evitar que haja arrependimento quando já não se tiver o poder de voltar atrás no que se declarou.
Quando se trata de guardar segredo, calar nunca é demais; o silencio é então uma das coisas em que, geralmente, não há excesso a temer.
O silencio muitas vezes passa por sabedoria em um homem limitado e por capacidade em um ignorante.
A característica própria de um homem corajoso é falar pouco e executar grandes ações. A característica de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas razoáveis. Não há menos fraqueza ou imprudência em calar, quando se é obrigado a falar, do que leviandade e indiscrição em falar, quando se deve calar.
‘Joseph Antoine T. Dinouart’
Só se deve deixar de calar quando se tem algo a dizer que valha mais do que o silencio.
O tempo de calar deve sempre vir em primeiro lugar; e nunca se pode falar quando não se aprendeu antes a calar. O homem nunca é tão dono de si mesmo quanto ao silencio. Fora dele, parece derramar-se por assim dizer, para fora de si e dissipar-se pelo discurso; de modo que ele pertence menos a si mesmo do que aos outros.
Quando se tem uma coisa importante para dizer, deve prestar a ela uma atenção muito especial: é necessário dizê-la a si mesmo e, depois de tal precaução, voltar a dizê-la, para evitar que haja arrependimento quando já não se tiver o poder de voltar atrás no que se declarou.
Quando se trata de guardar segredo, calar nunca é demais; o silencio é então uma das coisas em que, geralmente, não há excesso a temer.
O silencio muitas vezes passa por sabedoria em um homem limitado e por capacidade em um ignorante.
A característica própria de um homem corajoso é falar pouco e executar grandes ações. A característica de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas razoáveis. Não há menos fraqueza ou imprudência em calar, quando se é obrigado a falar, do que leviandade e indiscrição em falar, quando se deve calar.
‘Joseph Antoine T. Dinouart’
sexta-feira, 9 de abril de 2010
DIFÍCIL UNIDADE
Somos uma difícil unidade De muitos instantes mínimos - isso seria eu. Mil fragmentos somos, em jogo misterioso, Aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente - Como me poderão encontrar? Novos e antigos todos os dias, Transparentes e opacos, segundo o giro da luz - nós mesmos nos procuramos. E por entre as circunstâncias fluímos, Leves e livres como a cascata pelas pedras. - Que metal nos poderia prender?
Cecília Meireles
Cecília Meireles
quarta-feira, 7 de abril de 2010
COMO DIZ CAETANO
E eu pensava que o primeiro mundo era Paris, Londres; Nova Iorque… que nada! Exatamente do outro lado do planeta foi onde meus olhos viram que é possível uma sociedade mais justa. Se a felicidade depende disso, não sei, pois, para gozá-la, há razoes que a humanidade desconhece, mas que naqueles moldes sócio-urbanísticos é mais fácil experimentá-la, não temos a menor dúvida.
Outrossim, a razão também nos diz que não se pode ser feliz sendo cúmplice de um carma coletivo que criou nações cheias de incoerências, injustiças, falta de controle urbano e ambiental, entre muitas outras mazelas.
A Nova Zelândia deu um exemplo ao se organizar, para que seja hoje chamada de “país perfeito”, com a melhor qualidade de vida do planeta. Foi a única nação onde os nativos negociaram amigavelmente e sob condições de respeito mutuo com os colonizadores. Além disso, o seu povo se uniu com equidade, leis trabalhistas sadias, e estabeleceu um rigoroso controle de natalidade e de preservação da natureza.
Alem disso, parece que o BB estava mais inspirado quando criou aquele lugar. A natureza lhe sorri por entre praias místicas, de grandioso relevo, lagos cujo azul oceânico se une ao dos céus pelas curvas de um horizonte cortado de montanhas, ora verdes, ora plúmbeas, em um show de exuberância e beleza ímpar. E esse sorriso transpassa para o semblante tranqüilo da sua gente conferindo-lhe simpatia exemplar, como se todos tivessem de bem com a vida. Os lagos cristalinos que beijam as margens do Queenstown – que em nada devem ao mar – e de onde surgem belas montanhas forma um conjunto que se completa com a mais perfeita harmonia urbana.
Há uma simplicidade cotidiana que se percebe na conduta de pessoas sem estresse, nas vestimentas descontraídas, sem ostentação, e no generalizado uso de sandálias havaianas por todas as gerações. A tranqüilidade urbana é notoriamente proporcionada pela sensação de segurança que se observa na absoluta falta de gente que não tem o que fazer. Praticamente não existem edifícios residenciais, pois não há densidade demográfica que os justifique. Os bairros são de casas, com muros de meio metro, sem portões e nem grades nas janelas.
O silencio é quase um insulto de paz que nos envergonha lembrando; de como seria bom que aqui o pudéssemos ter. Mendigos? Desempregados? Nenhum. E por isso, nada de vendedores ambulantes, pedintes ou desocupados. Ônibus quase não se vêem. Todo o mundo tem carro, ou anda de bicicleta, há bondes gratuitos, ninguém buzina, e engarrafamento é algo só visto na TV.
Inacreditavelmente em todas as esquinas, praças e parques há toaletes públicos modernos e perfumados, munidos de tudo o que é necessário. E gratuitos! Que diferença daquele mundo do decantado circuito internacional, onde não se encontram facilidades básicas, o povo é estressado, no há onde estacionar, o transito é um inferno, os metrôs sujos e congestionados, e que ainda chamam de “primeiro”. Não, decididamente preferimos o “último mundo”, aquele que fica “do outro lado do lado que é lado de lá”, como diz Caetano...
‘Germano Romero’
Outrossim, a razão também nos diz que não se pode ser feliz sendo cúmplice de um carma coletivo que criou nações cheias de incoerências, injustiças, falta de controle urbano e ambiental, entre muitas outras mazelas.
A Nova Zelândia deu um exemplo ao se organizar, para que seja hoje chamada de “país perfeito”, com a melhor qualidade de vida do planeta. Foi a única nação onde os nativos negociaram amigavelmente e sob condições de respeito mutuo com os colonizadores. Além disso, o seu povo se uniu com equidade, leis trabalhistas sadias, e estabeleceu um rigoroso controle de natalidade e de preservação da natureza.
Alem disso, parece que o BB estava mais inspirado quando criou aquele lugar. A natureza lhe sorri por entre praias místicas, de grandioso relevo, lagos cujo azul oceânico se une ao dos céus pelas curvas de um horizonte cortado de montanhas, ora verdes, ora plúmbeas, em um show de exuberância e beleza ímpar. E esse sorriso transpassa para o semblante tranqüilo da sua gente conferindo-lhe simpatia exemplar, como se todos tivessem de bem com a vida. Os lagos cristalinos que beijam as margens do Queenstown – que em nada devem ao mar – e de onde surgem belas montanhas forma um conjunto que se completa com a mais perfeita harmonia urbana.
Há uma simplicidade cotidiana que se percebe na conduta de pessoas sem estresse, nas vestimentas descontraídas, sem ostentação, e no generalizado uso de sandálias havaianas por todas as gerações. A tranqüilidade urbana é notoriamente proporcionada pela sensação de segurança que se observa na absoluta falta de gente que não tem o que fazer. Praticamente não existem edifícios residenciais, pois não há densidade demográfica que os justifique. Os bairros são de casas, com muros de meio metro, sem portões e nem grades nas janelas.
O silencio é quase um insulto de paz que nos envergonha lembrando; de como seria bom que aqui o pudéssemos ter. Mendigos? Desempregados? Nenhum. E por isso, nada de vendedores ambulantes, pedintes ou desocupados. Ônibus quase não se vêem. Todo o mundo tem carro, ou anda de bicicleta, há bondes gratuitos, ninguém buzina, e engarrafamento é algo só visto na TV.
Inacreditavelmente em todas as esquinas, praças e parques há toaletes públicos modernos e perfumados, munidos de tudo o que é necessário. E gratuitos! Que diferença daquele mundo do decantado circuito internacional, onde não se encontram facilidades básicas, o povo é estressado, no há onde estacionar, o transito é um inferno, os metrôs sujos e congestionados, e que ainda chamam de “primeiro”. Não, decididamente preferimos o “último mundo”, aquele que fica “do outro lado do lado que é lado de lá”, como diz Caetano...
‘Germano Romero’
segunda-feira, 5 de abril de 2010
RELACIONAMENTO ENTRE PAIS E FILHOS

Estava a ler um livro intitulado “A arte da guerra”, a história do general chinês Sun Tzu, um estrategista em guerra da dinastia “Sung”. O livro é o maior tratado militar da historia da humanidade. Uma das grandes frases do general que me chamou a atenção foi:
“Quando o comandante demonstrar fraqueza, não tiver autoridade, suas ordens não forem claras e seus oficiais e tropas forem indisciplinados, o resultado será o caos e a desorganização absoluta”
Me parece que falta autoridade nos pais para com os filhos. Parece que os filhos perderam a noção da autoridade e os papeis estão invertidos. O que tem contribuído para o difícil relacionamento entre pais e filhos?
A resposta é unânime, entre psicólogos, sociólogos, psiquiatras e educadores, “Falta de Limites”. Os pais precisam colocar limites para os seus filos crescerem. A criança é um ser com uma quantidade enorme de energia adequadamente e, para tanto, precisa de um enquadramento e um direcionamento que, principalmente, aos pais cabe dar. Hoje em dia, também é muito comum ouvirmos que pais e mães precisam ser amigos de seus filhos. Aqui, igualmente, é preciso ter cuidado com a inversão de ordem.
É muito importante que pais e mães possam ser amigos de seus filhos, mas, antes de qualquer outra coisa, por amor aos seus filhos, os pais têm o dever de educá-los, de colocar limites, estabelecer proibições. Os filhos precisam de pais e mães mais próximos, mais disponíveis, abertos a escutá-los, a discutir e orientá-los naquilo que eles lhes solicitarem, ou naquilo que os pais entenderem necessário fazê-lo. Mas, precisam igualmente de pais que saibam dizer não, estabelecer o que é certo e o que é errado, e quais os limites que precisam ser seriamente respeitados.
Se os pais se comportam somente como amigos de seus filhos, podemos nos perguntar “quem está fazendo o papel dos pais em seu lugar?”
Para educar um filho não há formula ou manual que se possa seguir, pois cada filho e cada pai e mãe são únicos em sua natureza. Todos precisam ser respeitados. Nós escolhemos com quem vamos nos casar, de quem vamos ser amigos, mas não escolhemos os nossos filhos e nossos pais.
Apenas temos que conviver com eles, e essa convivência nem sempre é fácil.
‘Weslley Lima’
Subscrever:
Mensagens (Atom)