A Ferrovia Transcontinental, ou outro qualquer nome com que a queiram batizar, seria uma realidade no desenvolvimento da Região de Sines, e de todo o Alentejo, para potenciar o desenvolvimento econômico e humano dos municípios envolvidos.
Ao deixar de fora do projeto TGV estas zonas, nos termos em que deveria ter sido analisada a possibilidade da sua integração, está o Governo a condenar a região a uma ainda maior desertificação e isolamento.
A inclusão da região num projeto voltado para o transporte de mercadorias em alta velocidade, (obviamente que não vamos transportar mercadorias a 300 km por hora, mas podemos transportar com qualidade e eficácia a uma velocidade bem maior do que a até agora existente) garantiria a construção de um ramal da ferrovia TGV, que poderia levar as mercadorias que entram nos Portos de Sines e Setubal, aos 4 cantos da Europa, bem assim como as colocar nos portos para que rumem aos diversos destinos por via marítima.
As autarquias deveriam ter acautelado em devido tempo, um debate para a realização de um projecto voltado para essa sinergia a capitalizar para a Região, ainda não é demasiado tarde, mas o tempo esta a passar, e salvo omissão minha, não se escutou uma única palavra da Associação de Municipios de Setúbal sobre o assunto. Pelo menos um debate serio, que ainda esta a tempo de se realizar, serviria para balizar intervenções estratégicas no desenvolvimento integrado da região.
Deve ressaltar-se que a região polarizada em torno de Sines tem muitas potencialidades, para acolher industrias, para dessa forma se potenciar um desenvolvimento mais descentralizador, no sentido de que saiam dos eixos nacionais até agora existentes, desenvolvendo dessa forma o interior.
O Governo devera ter uma preocupação com o econômico e social dos municípios. As cidades do interior tinham a 40 ou 50 anos uma história de desenvolvimento atrelada às culturas em grande superfície hoje já quase inexistentes na região a que me refiro, pois a agricultura foi destruída na sua essência.
Por isso mesmo existe cada vez mais uma necessidade de se desenvolverem alternativas de industrialização no interior da região. A indústria precisa ser direcionada as cidades do interior, para dessa forma se poderem explorar os potenciais de cada município. Seria uma forma ainda de um melhor aproveitamento da mão-de-obra local, gerando emprego e renda para a região.
Mais Investimentos na exploração da atividade turística também deveriam fazer parte do programa de governo, como mais uma alternativa de se desenvolver não apenas a região do Litoral, mas a região como um todo.
Portugal tem que ousar.
Obviamente que quando eu me preocupo com grandes projetos de desenvolvimento, não posso me esquecer que nenhuma região é atrativa se ela não tem sustentabilidade, e para ter sustentabilidade temos que criar essas mesmas condições, e se não existem projetos estruturantes não se pode pensar em termos de futuro, e com isso se mata uma Região e por conseguinte; um País no seu todo.
“João Massapina”
Blog de opinião pessoal, critica, independente e rigorosa em termos de analise problematica das questões. Convidados a participar cidadãos com um pensamento livre e descomprometido com obrigações de seguidismo politico, social ou religioso. Aqui, neste espaço, cada um continua a ter as suas opções pessoais, de forma livre. Cada um sabe de si!!!
terça-feira, 11 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Acabou-se a festa, pá!
Aproximamo-nos do fim da linha, da hora da verdade. Trinta e mais anos a viver sem produzir riqueza e a endividarmo-nos por conta da riqueza que um dia haveremos de produzir, acabaram finalmente por nos colocar em frente do espelho para nos encararmos a nós próprios. Escrevo depois de ter perdido meia hora de trabalho bloqueado por uma qualquer manifestação em S. Bento - não sei se dos professores ainda em luta da abolição dos últimos resquícios da fracassada tentativa governamental de os pôr a ganhar de acordo com o mérito e a produção, ou se de trabalhadores de outro sector que terão lido as tarjas colocadas pela CGTP no Marquês de Pombal: "Exigimos aumento de salários e pensões".
Pois, exigimos... É o que de melhor soubemos fazer desde o 25 de Abril: exigir. Com o país falido, os sindicatos exigem aumentos de salários e pensões e os geniais gestores públicos que conseguem a proeza de obter "resultados" administrando monopólios exigem também que ninguém toque nos seus pornográficos prémios de gestão. Uns e outros vivem tranquilos à sombra das exigências e daquilo a que chamam direitos adquiridos ou "contratualizados" - o que é a mesma coisa, em linguagem nova-rica. E quem pagará tanta exigência? Oh, claro, a srª Merkel, culpada de dirigir um país que tem de honrar o título de "locomotiva europeia", que se reconstruiu das cinzas há sessenta anos pelo seu esforço e mérito e que, egoísta como é, não quer partilhar com os "PIGS" a factura do seu desgoverno. A 'insensível' srª Merkel, ao que nos contam, está mais preocupada com a sua opinião pública e a eleição regional da Renânia-Vestfália (da qual depende a sobrevivência do seu governo de coligação) do que com a missão que a 'Europa' atribuiu à Alemanha de a socorrer em qualquer situação de necessidade. Para já, a 'Europa' exige à srª Merkel e à Alemanha que assuma um quinto da factura de 135.000 milhões de euros necessários para acorrer à Grécia, depois de esta ter passado vinte anos a desbaratar ajudas europeias (de que foi das mais beneficiadas), a acumular défices para, entre outras coisas, pagar reformas aos 50 anos de idade, e, no fim falsificar as contas públicas e esconder dos seus parceiros do euro o descalabro financeiro em que vivia. Enquanto os alemães pagavam o custo da sua reunificação e o grosso das despesas da tal 'Europa'. Agora a Grécia, depois Portugal, a seguir a Espanha, talvez também a Irlanda e a Itália. Claro que, se a Alemanha não se comover, adeus euro, talvez mesmo adeus União Europeia. Mas ponham-se na pele de um alemão, ponham-se na pele dos nossos emigrantes que lá trabalham no duro, e digam lá se iam a correr, entusiasmados, salvar a 'Europa'.
E as agências de notação financeira, ah, esses filhos-da-mãe da Standard and Poor's, da Fitch, da Moodys, a alimentarem a especulação contra nós e os gregos? Esses malandros que, vejam lá, olham para o nosso histórico, vêem que passámos a última década inteira a crescer menos de 1% ao ano, enquanto a despesa do Estado crescia cinco vezes mais, e permitem-se duvidar da nossa capacidade de domesticar o monstro nos anos próximos! Sim, porque nós, se nos derem oportunidade, vamos a correr comprar títulos da dívida pública portuguesa, tamanha é a fé que temos na nossa capacidade de gastar apenas o que produzimos! Claro que eles são uns 'incendiários', mas só porque encontram terreno preparado para arder.
Porque será que não acreditamos naquilo que acusamos os outros de não acreditarem também? Eu explico, pela parte que me toca. Com alguns exemplos concretos - nem sequer os mais significativos, apenas representativos.
Primeiro exemplo: viram aquela imagem do dr. Jardim, de mãos postas como quem reza a um salvador, acolhendo o engº Sócrates no Funchal, acabado de desembarcar do Falcon? Eu sei que as fotografias às vezes mentem: um mau ângulo pode inverter a verdade de um momento. O problema é que aquela imagem correspondia exactamente ao conteúdo do momento. Sócrates desembarcou e Jardim disse-lhe "são 1300 milhões". Sócrates respondeu: "Ok, dou 1100". Jardim voltou-se para trás, para o seu povo, e disse-lhe: "no passado, eu jurei que o sr. Pinto de Sousa era um bandido. Mas agora quero jurar que o engº José Sócrates é um patriota e um amigo da Madeira". Sócrates sorriu, virou-se igualmente para trás e entregou ao seu assessor, sem ler, a folha onde Jardim tinha rabiscado as contas que suportavam a extraordinária factura de 1300 milhões da enxurrada da Madeira. Abriu os braços e exclamou: "há alturas na vida das nações em que o que menos conta é o dinheiro".
Segundo exemplo: depois de ter conseguido que o Governo lhe entregasse toda a área de exposições do CCB para servir de armazém à sua colecção particular de pintura, sem ter de pagar um tostão por isso e sem dar qualquer contrapartida; depois de ter conseguido que o Museu/Colecção Berardo fosse o único museu do país com entradas à borla (assim justificando o "êxito" e o "interesse público" do contrato celebrado com o eng.º Sócrates); depois de ter garantido que o Estado cumpria religiosamente o compromisso mútuo de meter meio milhão de euros por ano para compras destinadas a engrossar a sua colecção, o 'mecenas' Berardo achou-se desobrigado de fazer igual, preferindo pagar em espécie o meio milhão que lhe cabia. E quando a ministra, posta ao corrente do facto, se atreveu a arquear uma sobrancelha, ele veio, sobranceiro e no seu português típico: "if ministra no contente, I pack my bags and go!" Eu também vou propor às Finanças que, em vez de pagar o IRS em dinheiro, me aceitem uns manuscritos, umas roupas velhas, uns óculos partidos - coisas da minha colecção particular...
Terceiro exemplo: em 2006, o engº Sócrates ficou fascinado com o projecto de construção de um autódromo no Algarve. Nem o desastre da nacionalização (!) do autódromo do Estoril - (brilhante operação do também socialista Pina Moura, que ainda hoje sobrecarrega o erário público, sem qualquer utilidade) - o fez pensar um pouco, antes de se atirar de cabeça. Atirou-se: deu-lhe um projecto PIN, 130 hectares de Reserva Agrícola Nacional para urbanizarem e 12% de participação pública na empresa "privada" Parkalgar - o resto bancou o BCP, numa das suas geniais operações de crédito. Mas em 2009, segundo as escutas do "Sol", o então administrador do BCP, Armando Vara ("allways on my mind"...), desabafou com o secretário de Estado do Desporto que aquilo era "um sorvedouro de dinheiro... irracional, do ponto de vista económico". E, como lhe competia, enquanto administrador do credor, tentou, conta o "Sol", passar o crédito "tóxico" que tinha em carteira. Adivinhem para quem? Para os contribuintes, é claro. Segundo o jornal, Vara, disse a Laurentino Dias que "não há razão nenhuma para a Caixa não meter lá dez milhões", já que "aquilo só vai lá com capital público... sem preocupações de retorno". E, por isso, ele achava que "o chefe" (que já sabemos quem não é) "devia dar um conforto". Pois que "é irracional, mas está feito, e um dia qualquer o Estado nacionaliza aquilo - que é a solução". Preparem-se, pois: um dia seremos o único país do mundo que tem, não um, mas dois autódromos sem corridas e ambos comprados pelo Estado aos empreendedores visionários que os construíram. Estão a ver por que a Standard and Poor's não acredita em nós?
Querem mais exemplos? O contrato da auto-estrada do Pinhal Interior (procure no mapa), assinado à pressa entre a Brisa e a Mota-Engil, no mesmo dia em que o ataque à dívida pública atingia o máximo (tal como o contrato celebrado entre a APL e a mesma Mota-Engil, para o Terminal de Contentores de Alcântara, também assinado a correr, assim que se levantou publicamente a vontade de contestar o negócio, jurídica e politicamente). Mais 1200 milhões para reforçar a nossa posição de país com mais quilómetros de auto-estrada por habitante de toda a UE. Outro: o 'comboio-fantasma' de Oeiras ou as dívidas das empresas municipais, utilizadas como expediente para contornar os limites de endividamento das autarquias. Outro ainda: a arrogância dos accionistas das empresas participadas pelo Estado, recusando-se a acatar as instruções do Governo para suspender ou, ao menos, limitar os prémios de gestão, que são um insulto público. E este: os dois dias de tolerância de ponto e de caos nas cidades, porque vem aí o Papa e o país tem de parar.
Poderiam ser dezenas de exemplos. Mas não vale a pena, já. Quem quer perceber, percebeu há muito. Quem não quer, vai perceber da pior maneira. Só não digam, depois, é que não sabiam.
Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010
Pois, exigimos... É o que de melhor soubemos fazer desde o 25 de Abril: exigir. Com o país falido, os sindicatos exigem aumentos de salários e pensões e os geniais gestores públicos que conseguem a proeza de obter "resultados" administrando monopólios exigem também que ninguém toque nos seus pornográficos prémios de gestão. Uns e outros vivem tranquilos à sombra das exigências e daquilo a que chamam direitos adquiridos ou "contratualizados" - o que é a mesma coisa, em linguagem nova-rica. E quem pagará tanta exigência? Oh, claro, a srª Merkel, culpada de dirigir um país que tem de honrar o título de "locomotiva europeia", que se reconstruiu das cinzas há sessenta anos pelo seu esforço e mérito e que, egoísta como é, não quer partilhar com os "PIGS" a factura do seu desgoverno. A 'insensível' srª Merkel, ao que nos contam, está mais preocupada com a sua opinião pública e a eleição regional da Renânia-Vestfália (da qual depende a sobrevivência do seu governo de coligação) do que com a missão que a 'Europa' atribuiu à Alemanha de a socorrer em qualquer situação de necessidade. Para já, a 'Europa' exige à srª Merkel e à Alemanha que assuma um quinto da factura de 135.000 milhões de euros necessários para acorrer à Grécia, depois de esta ter passado vinte anos a desbaratar ajudas europeias (de que foi das mais beneficiadas), a acumular défices para, entre outras coisas, pagar reformas aos 50 anos de idade, e, no fim falsificar as contas públicas e esconder dos seus parceiros do euro o descalabro financeiro em que vivia. Enquanto os alemães pagavam o custo da sua reunificação e o grosso das despesas da tal 'Europa'. Agora a Grécia, depois Portugal, a seguir a Espanha, talvez também a Irlanda e a Itália. Claro que, se a Alemanha não se comover, adeus euro, talvez mesmo adeus União Europeia. Mas ponham-se na pele de um alemão, ponham-se na pele dos nossos emigrantes que lá trabalham no duro, e digam lá se iam a correr, entusiasmados, salvar a 'Europa'.
E as agências de notação financeira, ah, esses filhos-da-mãe da Standard and Poor's, da Fitch, da Moodys, a alimentarem a especulação contra nós e os gregos? Esses malandros que, vejam lá, olham para o nosso histórico, vêem que passámos a última década inteira a crescer menos de 1% ao ano, enquanto a despesa do Estado crescia cinco vezes mais, e permitem-se duvidar da nossa capacidade de domesticar o monstro nos anos próximos! Sim, porque nós, se nos derem oportunidade, vamos a correr comprar títulos da dívida pública portuguesa, tamanha é a fé que temos na nossa capacidade de gastar apenas o que produzimos! Claro que eles são uns 'incendiários', mas só porque encontram terreno preparado para arder.
Porque será que não acreditamos naquilo que acusamos os outros de não acreditarem também? Eu explico, pela parte que me toca. Com alguns exemplos concretos - nem sequer os mais significativos, apenas representativos.
Primeiro exemplo: viram aquela imagem do dr. Jardim, de mãos postas como quem reza a um salvador, acolhendo o engº Sócrates no Funchal, acabado de desembarcar do Falcon? Eu sei que as fotografias às vezes mentem: um mau ângulo pode inverter a verdade de um momento. O problema é que aquela imagem correspondia exactamente ao conteúdo do momento. Sócrates desembarcou e Jardim disse-lhe "são 1300 milhões". Sócrates respondeu: "Ok, dou 1100". Jardim voltou-se para trás, para o seu povo, e disse-lhe: "no passado, eu jurei que o sr. Pinto de Sousa era um bandido. Mas agora quero jurar que o engº José Sócrates é um patriota e um amigo da Madeira". Sócrates sorriu, virou-se igualmente para trás e entregou ao seu assessor, sem ler, a folha onde Jardim tinha rabiscado as contas que suportavam a extraordinária factura de 1300 milhões da enxurrada da Madeira. Abriu os braços e exclamou: "há alturas na vida das nações em que o que menos conta é o dinheiro".
Segundo exemplo: depois de ter conseguido que o Governo lhe entregasse toda a área de exposições do CCB para servir de armazém à sua colecção particular de pintura, sem ter de pagar um tostão por isso e sem dar qualquer contrapartida; depois de ter conseguido que o Museu/Colecção Berardo fosse o único museu do país com entradas à borla (assim justificando o "êxito" e o "interesse público" do contrato celebrado com o eng.º Sócrates); depois de ter garantido que o Estado cumpria religiosamente o compromisso mútuo de meter meio milhão de euros por ano para compras destinadas a engrossar a sua colecção, o 'mecenas' Berardo achou-se desobrigado de fazer igual, preferindo pagar em espécie o meio milhão que lhe cabia. E quando a ministra, posta ao corrente do facto, se atreveu a arquear uma sobrancelha, ele veio, sobranceiro e no seu português típico: "if ministra no contente, I pack my bags and go!" Eu também vou propor às Finanças que, em vez de pagar o IRS em dinheiro, me aceitem uns manuscritos, umas roupas velhas, uns óculos partidos - coisas da minha colecção particular...
Terceiro exemplo: em 2006, o engº Sócrates ficou fascinado com o projecto de construção de um autódromo no Algarve. Nem o desastre da nacionalização (!) do autódromo do Estoril - (brilhante operação do também socialista Pina Moura, que ainda hoje sobrecarrega o erário público, sem qualquer utilidade) - o fez pensar um pouco, antes de se atirar de cabeça. Atirou-se: deu-lhe um projecto PIN, 130 hectares de Reserva Agrícola Nacional para urbanizarem e 12% de participação pública na empresa "privada" Parkalgar - o resto bancou o BCP, numa das suas geniais operações de crédito. Mas em 2009, segundo as escutas do "Sol", o então administrador do BCP, Armando Vara ("allways on my mind"...), desabafou com o secretário de Estado do Desporto que aquilo era "um sorvedouro de dinheiro... irracional, do ponto de vista económico". E, como lhe competia, enquanto administrador do credor, tentou, conta o "Sol", passar o crédito "tóxico" que tinha em carteira. Adivinhem para quem? Para os contribuintes, é claro. Segundo o jornal, Vara, disse a Laurentino Dias que "não há razão nenhuma para a Caixa não meter lá dez milhões", já que "aquilo só vai lá com capital público... sem preocupações de retorno". E, por isso, ele achava que "o chefe" (que já sabemos quem não é) "devia dar um conforto". Pois que "é irracional, mas está feito, e um dia qualquer o Estado nacionaliza aquilo - que é a solução". Preparem-se, pois: um dia seremos o único país do mundo que tem, não um, mas dois autódromos sem corridas e ambos comprados pelo Estado aos empreendedores visionários que os construíram. Estão a ver por que a Standard and Poor's não acredita em nós?
Querem mais exemplos? O contrato da auto-estrada do Pinhal Interior (procure no mapa), assinado à pressa entre a Brisa e a Mota-Engil, no mesmo dia em que o ataque à dívida pública atingia o máximo (tal como o contrato celebrado entre a APL e a mesma Mota-Engil, para o Terminal de Contentores de Alcântara, também assinado a correr, assim que se levantou publicamente a vontade de contestar o negócio, jurídica e politicamente). Mais 1200 milhões para reforçar a nossa posição de país com mais quilómetros de auto-estrada por habitante de toda a UE. Outro: o 'comboio-fantasma' de Oeiras ou as dívidas das empresas municipais, utilizadas como expediente para contornar os limites de endividamento das autarquias. Outro ainda: a arrogância dos accionistas das empresas participadas pelo Estado, recusando-se a acatar as instruções do Governo para suspender ou, ao menos, limitar os prémios de gestão, que são um insulto público. E este: os dois dias de tolerância de ponto e de caos nas cidades, porque vem aí o Papa e o país tem de parar.
Poderiam ser dezenas de exemplos. Mas não vale a pena, já. Quem quer perceber, percebeu há muito. Quem não quer, vai perceber da pior maneira. Só não digam, depois, é que não sabiam.
Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010
Acabou-se a festa, pá!
Aproximamo-nos do fim da linha, da hora da verdade. Trinta e mais anos a viver sem produzir riqueza e a endividarmo-nos por conta da riqueza que um dia haveremos de produzir, acabaram finalmente por nos colocar em frente do espelho para nos encararmos a nós próprios. Escrevo depois de ter perdido meia hora de trabalho bloqueado por uma qualquer manifestação em S. Bento - não sei se dos professores ainda em luta da abolição dos últimos resquícios da fracassada tentativa governamental de os pôr a ganhar de acordo com o mérito e a produção, ou se de trabalhadores de outro sector que terão lido as tarjas colocadas pela CGTP no Marquês de Pombal: "Exigimos aumento de salários e pensões".
Pois, exigimos... É o que de melhor soubemos fazer desde o 25 de Abril: exigir. Com o país falido, os sindicatos exigem aumentos de salários e pensões e os geniais gestores públicos que conseguem a proeza de obter "resultados" administrando monopólios exigem também que ninguém toque nos seus pornográficos prémios de gestão. Uns e outros vivem tranquilos à sombra das exigências e daquilo a que chamam direitos adquiridos ou "contratualizados" - o que é a mesma coisa, em linguagem nova-rica. E quem pagará tanta exigência? Oh, claro, a srª Merkel, culpada de dirigir um país que tem de honrar o título de "locomotiva europeia", que se reconstruiu das cinzas há sessenta anos pelo seu esforço e mérito e que, egoísta como é, não quer partilhar com os "PIGS" a factura do seu desgoverno. A 'insensível' srª Merkel, ao que nos contam, está mais preocupada com a sua opinião pública e a eleição regional da Renânia-Vestfália (da qual depende a sobrevivência do seu governo de coligação) do que com a missão que a 'Europa' atribuiu à Alemanha de a socorrer em qualquer situação de necessidade. Para já, a 'Europa' exige à srª Merkel e à Alemanha que assuma um quinto da factura de 135.000 milhões de euros necessários para acorrer à Grécia, depois de esta ter passado vinte anos a desbaratar ajudas europeias (de que foi das mais beneficiadas), a acumular défices para, entre outras coisas, pagar reformas aos 50 anos de idade, e, no fim falsificar as contas públicas e esconder dos seus parceiros do euro o descalabro financeiro em que vivia. Enquanto os alemães pagavam o custo da sua reunificação e o grosso das despesas da tal 'Europa'. Agora a Grécia, depois Portugal, a seguir a Espanha, talvez também a Irlanda e a Itália. Claro que, se a Alemanha não se comover, adeus euro, talvez mesmo adeus União Europeia. Mas ponham-se na pele de um alemão, ponham-se na pele dos nossos emigrantes que lá trabalham no duro, e digam lá se iam a correr, entusiasmados, salvar a 'Europa'.
E as agências de notação financeira, ah, esses filhos-da-mãe da Standard and Poor's, da Fitch, da Moodys, a alimentarem a especulação contra nós e os gregos? Esses malandros que, vejam lá, olham para o nosso histórico, vêem que passámos a última década inteira a crescer menos de 1% ao ano, enquanto a despesa do Estado crescia cinco vezes mais, e permitem-se duvidar da nossa capacidade de domesticar o monstro nos anos próximos! Sim, porque nós, se nos derem oportunidade, vamos a correr comprar títulos da dívida pública portuguesa, tamanha é a fé que temos na nossa capacidade de gastar apenas o que produzimos! Claro que eles são uns 'incendiários', mas só porque encontram terreno preparado para arder.
Porque será que não acreditamos naquilo que acusamos os outros de não acreditarem também? Eu explico, pela parte que me toca. Com alguns exemplos concretos - nem sequer os mais significativos, apenas representativos.
Primeiro exemplo: viram aquela imagem do dr. Jardim, de mãos postas como quem reza a um salvador, acolhendo o engº Sócrates no Funchal, acabado de desembarcar do Falcon? Eu sei que as fotografias às vezes mentem: um mau ângulo pode inverter a verdade de um momento. O problema é que aquela imagem correspondia exactamente ao conteúdo do momento. Sócrates desembarcou e Jardim disse-lhe "são 1300 milhões". Sócrates respondeu: "Ok, dou 1100". Jardim voltou-se para trás, para o seu povo, e disse-lhe: "no passado, eu jurei que o sr. Pinto de Sousa era um bandido. Mas agora quero jurar que o engº José Sócrates é um patriota e um amigo da Madeira". Sócrates sorriu, virou-se igualmente para trás e entregou ao seu assessor, sem ler, a folha onde Jardim tinha rabiscado as contas que suportavam a extraordinária factura de 1300 milhões da enxurrada da Madeira. Abriu os braços e exclamou: "há alturas na vida das nações em que o que menos conta é o dinheiro".
Segundo exemplo: depois de ter conseguido que o Governo lhe entregasse toda a área de exposições do CCB para servir de armazém à sua colecção particular de pintura, sem ter de pagar um tostão por isso e sem dar qualquer contrapartida; depois de ter conseguido que o Museu/Colecção Berardo fosse o único museu do país com entradas à borla (assim justificando o "êxito" e o "interesse público" do contrato celebrado com o eng.º Sócrates); depois de ter garantido que o Estado cumpria religiosamente o compromisso mútuo de meter meio milhão de euros por ano para compras destinadas a engrossar a sua colecção, o 'mecenas' Berardo achou-se desobrigado de fazer igual, preferindo pagar em espécie o meio milhão que lhe cabia. E quando a ministra, posta ao corrente do facto, se atreveu a arquear uma sobrancelha, ele veio, sobranceiro e no seu português típico: "if ministra no contente, I pack my bags and go!" Eu também vou propor às Finanças que, em vez de pagar o IRS em dinheiro, me aceitem uns manuscritos, umas roupas velhas, uns óculos partidos - coisas da minha colecção particular...
Terceiro exemplo: em 2006, o engº Sócrates ficou fascinado com o projecto de construção de um autódromo no Algarve. Nem o desastre da nacionalização (!) do autódromo do Estoril - (brilhante operação do também socialista Pina Moura, que ainda hoje sobrecarrega o erário público, sem qualquer utilidade) - o fez pensar um pouco, antes de se atirar de cabeça. Atirou-se: deu-lhe um projecto PIN, 130 hectares de Reserva Agrícola Nacional para urbanizarem e 12% de participação pública na empresa "privada" Parkalgar - o resto bancou o BCP, numa das suas geniais operações de crédito. Mas em 2009, segundo as escutas do "Sol", o então administrador do BCP, Armando Vara ("allways on my mind"...), desabafou com o secretário de Estado do Desporto que aquilo era "um sorvedouro de dinheiro... irracional, do ponto de vista económico". E, como lhe competia, enquanto administrador do credor, tentou, conta o "Sol", passar o crédito "tóxico" que tinha em carteira. Adivinhem para quem? Para os contribuintes, é claro. Segundo o jornal, Vara, disse a Laurentino Dias que "não há razão nenhuma para a Caixa não meter lá dez milhões", já que "aquilo só vai lá com capital público... sem preocupações de retorno". E, por isso, ele achava que "o chefe" (que já sabemos quem não é) "devia dar um conforto". Pois que "é irracional, mas está feito, e um dia qualquer o Estado nacionaliza aquilo - que é a solução". Preparem-se, pois: um dia seremos o único país do mundo que tem, não um, mas dois autódromos sem corridas e ambos comprados pelo Estado aos empreendedores visionários que os construíram. Estão a ver por que a Standard and Poor's não acredita em nós?
Querem mais exemplos? O contrato da auto-estrada do Pinhal Interior (procure no mapa), assinado à pressa entre a Brisa e a Mota-Engil, no mesmo dia em que o ataque à dívida pública atingia o máximo (tal como o contrato celebrado entre a APL e a mesma Mota-Engil, para o Terminal de Contentores de Alcântara, também assinado a correr, assim que se levantou publicamente a vontade de contestar o negócio, jurídica e politicamente). Mais 1200 milhões para reforçar a nossa posição de país com mais quilómetros de auto-estrada por habitante de toda a UE. Outro: o 'comboio-fantasma' de Oeiras ou as dívidas das empresas municipais, utilizadas como expediente para contornar os limites de endividamento das autarquias. Outro ainda: a arrogância dos accionistas das empresas participadas pelo Estado, recusando-se a acatar as instruções do Governo para suspender ou, ao menos, limitar os prémios de gestão, que são um insulto público. E este: os dois dias de tolerância de ponto e de caos nas cidades, porque vem aí o Papa e o país tem de parar.
Poderiam ser dezenas de exemplos. Mas não vale a pena, já. Quem quer perceber, percebeu há muito. Quem não quer, vai perceber da pior maneira. Só não digam, depois, é que não sabiam.
Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010
Pois, exigimos... É o que de melhor soubemos fazer desde o 25 de Abril: exigir. Com o país falido, os sindicatos exigem aumentos de salários e pensões e os geniais gestores públicos que conseguem a proeza de obter "resultados" administrando monopólios exigem também que ninguém toque nos seus pornográficos prémios de gestão. Uns e outros vivem tranquilos à sombra das exigências e daquilo a que chamam direitos adquiridos ou "contratualizados" - o que é a mesma coisa, em linguagem nova-rica. E quem pagará tanta exigência? Oh, claro, a srª Merkel, culpada de dirigir um país que tem de honrar o título de "locomotiva europeia", que se reconstruiu das cinzas há sessenta anos pelo seu esforço e mérito e que, egoísta como é, não quer partilhar com os "PIGS" a factura do seu desgoverno. A 'insensível' srª Merkel, ao que nos contam, está mais preocupada com a sua opinião pública e a eleição regional da Renânia-Vestfália (da qual depende a sobrevivência do seu governo de coligação) do que com a missão que a 'Europa' atribuiu à Alemanha de a socorrer em qualquer situação de necessidade. Para já, a 'Europa' exige à srª Merkel e à Alemanha que assuma um quinto da factura de 135.000 milhões de euros necessários para acorrer à Grécia, depois de esta ter passado vinte anos a desbaratar ajudas europeias (de que foi das mais beneficiadas), a acumular défices para, entre outras coisas, pagar reformas aos 50 anos de idade, e, no fim falsificar as contas públicas e esconder dos seus parceiros do euro o descalabro financeiro em que vivia. Enquanto os alemães pagavam o custo da sua reunificação e o grosso das despesas da tal 'Europa'. Agora a Grécia, depois Portugal, a seguir a Espanha, talvez também a Irlanda e a Itália. Claro que, se a Alemanha não se comover, adeus euro, talvez mesmo adeus União Europeia. Mas ponham-se na pele de um alemão, ponham-se na pele dos nossos emigrantes que lá trabalham no duro, e digam lá se iam a correr, entusiasmados, salvar a 'Europa'.
E as agências de notação financeira, ah, esses filhos-da-mãe da Standard and Poor's, da Fitch, da Moodys, a alimentarem a especulação contra nós e os gregos? Esses malandros que, vejam lá, olham para o nosso histórico, vêem que passámos a última década inteira a crescer menos de 1% ao ano, enquanto a despesa do Estado crescia cinco vezes mais, e permitem-se duvidar da nossa capacidade de domesticar o monstro nos anos próximos! Sim, porque nós, se nos derem oportunidade, vamos a correr comprar títulos da dívida pública portuguesa, tamanha é a fé que temos na nossa capacidade de gastar apenas o que produzimos! Claro que eles são uns 'incendiários', mas só porque encontram terreno preparado para arder.
Porque será que não acreditamos naquilo que acusamos os outros de não acreditarem também? Eu explico, pela parte que me toca. Com alguns exemplos concretos - nem sequer os mais significativos, apenas representativos.
Primeiro exemplo: viram aquela imagem do dr. Jardim, de mãos postas como quem reza a um salvador, acolhendo o engº Sócrates no Funchal, acabado de desembarcar do Falcon? Eu sei que as fotografias às vezes mentem: um mau ângulo pode inverter a verdade de um momento. O problema é que aquela imagem correspondia exactamente ao conteúdo do momento. Sócrates desembarcou e Jardim disse-lhe "são 1300 milhões". Sócrates respondeu: "Ok, dou 1100". Jardim voltou-se para trás, para o seu povo, e disse-lhe: "no passado, eu jurei que o sr. Pinto de Sousa era um bandido. Mas agora quero jurar que o engº José Sócrates é um patriota e um amigo da Madeira". Sócrates sorriu, virou-se igualmente para trás e entregou ao seu assessor, sem ler, a folha onde Jardim tinha rabiscado as contas que suportavam a extraordinária factura de 1300 milhões da enxurrada da Madeira. Abriu os braços e exclamou: "há alturas na vida das nações em que o que menos conta é o dinheiro".
Segundo exemplo: depois de ter conseguido que o Governo lhe entregasse toda a área de exposições do CCB para servir de armazém à sua colecção particular de pintura, sem ter de pagar um tostão por isso e sem dar qualquer contrapartida; depois de ter conseguido que o Museu/Colecção Berardo fosse o único museu do país com entradas à borla (assim justificando o "êxito" e o "interesse público" do contrato celebrado com o eng.º Sócrates); depois de ter garantido que o Estado cumpria religiosamente o compromisso mútuo de meter meio milhão de euros por ano para compras destinadas a engrossar a sua colecção, o 'mecenas' Berardo achou-se desobrigado de fazer igual, preferindo pagar em espécie o meio milhão que lhe cabia. E quando a ministra, posta ao corrente do facto, se atreveu a arquear uma sobrancelha, ele veio, sobranceiro e no seu português típico: "if ministra no contente, I pack my bags and go!" Eu também vou propor às Finanças que, em vez de pagar o IRS em dinheiro, me aceitem uns manuscritos, umas roupas velhas, uns óculos partidos - coisas da minha colecção particular...
Terceiro exemplo: em 2006, o engº Sócrates ficou fascinado com o projecto de construção de um autódromo no Algarve. Nem o desastre da nacionalização (!) do autódromo do Estoril - (brilhante operação do também socialista Pina Moura, que ainda hoje sobrecarrega o erário público, sem qualquer utilidade) - o fez pensar um pouco, antes de se atirar de cabeça. Atirou-se: deu-lhe um projecto PIN, 130 hectares de Reserva Agrícola Nacional para urbanizarem e 12% de participação pública na empresa "privada" Parkalgar - o resto bancou o BCP, numa das suas geniais operações de crédito. Mas em 2009, segundo as escutas do "Sol", o então administrador do BCP, Armando Vara ("allways on my mind"...), desabafou com o secretário de Estado do Desporto que aquilo era "um sorvedouro de dinheiro... irracional, do ponto de vista económico". E, como lhe competia, enquanto administrador do credor, tentou, conta o "Sol", passar o crédito "tóxico" que tinha em carteira. Adivinhem para quem? Para os contribuintes, é claro. Segundo o jornal, Vara, disse a Laurentino Dias que "não há razão nenhuma para a Caixa não meter lá dez milhões", já que "aquilo só vai lá com capital público... sem preocupações de retorno". E, por isso, ele achava que "o chefe" (que já sabemos quem não é) "devia dar um conforto". Pois que "é irracional, mas está feito, e um dia qualquer o Estado nacionaliza aquilo - que é a solução". Preparem-se, pois: um dia seremos o único país do mundo que tem, não um, mas dois autódromos sem corridas e ambos comprados pelo Estado aos empreendedores visionários que os construíram. Estão a ver por que a Standard and Poor's não acredita em nós?
Querem mais exemplos? O contrato da auto-estrada do Pinhal Interior (procure no mapa), assinado à pressa entre a Brisa e a Mota-Engil, no mesmo dia em que o ataque à dívida pública atingia o máximo (tal como o contrato celebrado entre a APL e a mesma Mota-Engil, para o Terminal de Contentores de Alcântara, também assinado a correr, assim que se levantou publicamente a vontade de contestar o negócio, jurídica e politicamente). Mais 1200 milhões para reforçar a nossa posição de país com mais quilómetros de auto-estrada por habitante de toda a UE. Outro: o 'comboio-fantasma' de Oeiras ou as dívidas das empresas municipais, utilizadas como expediente para contornar os limites de endividamento das autarquias. Outro ainda: a arrogância dos accionistas das empresas participadas pelo Estado, recusando-se a acatar as instruções do Governo para suspender ou, ao menos, limitar os prémios de gestão, que são um insulto público. E este: os dois dias de tolerância de ponto e de caos nas cidades, porque vem aí o Papa e o país tem de parar.
Poderiam ser dezenas de exemplos. Mas não vale a pena, já. Quem quer perceber, percebeu há muito. Quem não quer, vai perceber da pior maneira. Só não digam, depois, é que não sabiam.
Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Água em asteroide
Agência FAPESP – Vida em asteroides? Longe disso, mas esses pequenos corpos celestes que gravitam em torno do Sol não são tão áridos como se achava. Evidência de água e de compostos orgânicos acabam de ser detectados na superfície de um deles.
A descoberta foi publicada na edição da revista Nature em dois artigos, um deles com participação brasileira. As evidências dos blocos básicos da vida foram localizadas no asteroide 24 Themis, que tem cerca de 200 quilômetros de diâmetro e se encontra entre Marte e Júpiter.
Ao medir o espectro de luz infravermelha refletida pelo objeto, os pesquisadores verificaram que era consistente com água congelada. Segundo eles, todo o asteroide está coberto por um filme fino de gelo.
Os cientistas também detectaram material orgânico, o que fortalece a teoria de que asteroides podem ter sido os responsáveis por trazer água e compostos orgânicos à Terra. Os dois grupos de pesquisadores usaram o telescópio de infravermelho da Nasa instalado em Mauna Kea, no Havaí.
“Os compostos orgânicos que detectamos aparentam ser cadeias extensas e complexas de moléculas. Ao caírem sobre a Terra estéril em meteoritos, essas moléculas podem ter servido como um grande pontapé inicial no desenvolvimento da vida no planeta”, disse Josh Emery, da Universidade do Tennessee, autor de um dos artigos.
O outro artigo tem participação de Thais Mothé Diniz, do Observatório de Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista na caracterização de pequenos corpos do Sistema Solar.
Emery destaca que encontrar gelo na superfície do 24 Themis é uma surpresa, por ela não ser fria o suficiente para que o gelo possa permanecer ali por muito tempo. “Isso implica que gelo é abundante no interior desse asteroide e talvez em muitos outros. O gelo em asteroides pode ser a resposta para o enigma de onde veio a água da Terra”, disse.
A proximidade do 24 Themis ao Sol faz com que o gelo evapore. Emery e Andrew Rivkin, da Universidade Johns Hopkins, sugerem que a duração do gelo na superfície do asteroide dure de milhares a milhões de anos, dependendo da posição do objeto.
Segundo eles, o gelo evaporado é contantemente substituído por um processo por meio do qual o gelo contido no interior do asteroide “sobe” aos poucos, à medida que o vapor escapa da superfície.
Os cientistas ressaltam que, como o 24 Themis é parte de uma “família” de asteroides formada a partir de um grande impacto e da consequente fragmentação de um corpo muito maior, há muito tempo, a descoberta implica que o objeto original também tinha gelo, o que tem grandes implicações para o estudo da origem do Sistema Solar.
Os artigos Detection of Ice and Organics on an Asteroidal Surface (vol 464 | DOI:10.1038/nature09028), de Andrew S. Rivkin e Joshua P. Emery, e Water ice and organics on the surface of the asteroid 24 Themis (vol 464 | DOI:10.1038/nature09098), de Humberto Campins e outros, podem ser lidos na Nature em www.nature.com.
A descoberta foi publicada na edição da revista Nature em dois artigos, um deles com participação brasileira. As evidências dos blocos básicos da vida foram localizadas no asteroide 24 Themis, que tem cerca de 200 quilômetros de diâmetro e se encontra entre Marte e Júpiter.
Ao medir o espectro de luz infravermelha refletida pelo objeto, os pesquisadores verificaram que era consistente com água congelada. Segundo eles, todo o asteroide está coberto por um filme fino de gelo.
Os cientistas também detectaram material orgânico, o que fortalece a teoria de que asteroides podem ter sido os responsáveis por trazer água e compostos orgânicos à Terra. Os dois grupos de pesquisadores usaram o telescópio de infravermelho da Nasa instalado em Mauna Kea, no Havaí.
“Os compostos orgânicos que detectamos aparentam ser cadeias extensas e complexas de moléculas. Ao caírem sobre a Terra estéril em meteoritos, essas moléculas podem ter servido como um grande pontapé inicial no desenvolvimento da vida no planeta”, disse Josh Emery, da Universidade do Tennessee, autor de um dos artigos.
O outro artigo tem participação de Thais Mothé Diniz, do Observatório de Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista na caracterização de pequenos corpos do Sistema Solar.
Emery destaca que encontrar gelo na superfície do 24 Themis é uma surpresa, por ela não ser fria o suficiente para que o gelo possa permanecer ali por muito tempo. “Isso implica que gelo é abundante no interior desse asteroide e talvez em muitos outros. O gelo em asteroides pode ser a resposta para o enigma de onde veio a água da Terra”, disse.
A proximidade do 24 Themis ao Sol faz com que o gelo evapore. Emery e Andrew Rivkin, da Universidade Johns Hopkins, sugerem que a duração do gelo na superfície do asteroide dure de milhares a milhões de anos, dependendo da posição do objeto.
Segundo eles, o gelo evaporado é contantemente substituído por um processo por meio do qual o gelo contido no interior do asteroide “sobe” aos poucos, à medida que o vapor escapa da superfície.
Os cientistas ressaltam que, como o 24 Themis é parte de uma “família” de asteroides formada a partir de um grande impacto e da consequente fragmentação de um corpo muito maior, há muito tempo, a descoberta implica que o objeto original também tinha gelo, o que tem grandes implicações para o estudo da origem do Sistema Solar.
Os artigos Detection of Ice and Organics on an Asteroidal Surface (vol 464 | DOI:10.1038/nature09028), de Andrew S. Rivkin e Joshua P. Emery, e Water ice and organics on the surface of the asteroid 24 Themis (vol 464 | DOI:10.1038/nature09098), de Humberto Campins e outros, podem ser lidos na Nature em www.nature.com.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Criação complexa
Agência FAPESP – Novas imagens obtidas pelo observatório espacial Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), revelam com detalhes inéditos as forças que estão envolvidas na formação de estrelas.
De acordo com a ESA, as imagens fornecem aos astrônomos uma maneira de entender os complexos processos físicos por trás da poeira e do gás espalhados pela Via Láctea.
A formação de estrelas ocorre escondida atrás de véus de poeira, mas isso não significa que tais processos não possam ser observados. Diferentemente dos telescópios ópticos, os “olhos” de microondas do Planck são capazes de desvendar estruturas brilhantes formadas por poeira e gás.
Dessa forma, o veículo espacial lançado em 2009 foi capaz de descobrir duas regiões relativamente próximas, na Via Láctea, cheias de gás e poeira, resultado da formação de estrelas.
A primeira imagem cobre boa parte da constelação de Órion, um berço de estrelas a cerca de 1,5 mil anos-luz e famosa pela nebulosa do mesmo nome, que pode ser vista da Terra mesmo a olho nu.
Na imagem feita pelo Planck, a nebulosa aparece como o ponto brilhante do lado esquerdo, um pouco abaixo do centro. À sua direita e um pouco acima, o outro ponto brilhante está em torno da nebulosa da Cabeça do Cavalo.
Os astrônomos estimam que o Arco de Barnard, a enorme formação vermelha que atravessa a imagem, seja a onda resultante da explosão de uma estrela há cerca de 2 milhões de anos. A “bolha” originada pelo fenômeno tem atualmente cerca de 300 milhões de anos-luz de diâmetro.
A outra imagem impressionante divulgada pela ESA mostra a constelação de Perseu, uma região de formação de estrelas não tão vigorosa como a de Órion, mas ainda assim com muita atividade.
O objetivo principal da missão Planck é ajudar os astrônomos a vasculhar o espaço em faixas de microondas de modo a mapear as variações da antiga radiação que deriva do Big Bang.
Mais informações: www.esa.int/planck
De acordo com a ESA, as imagens fornecem aos astrônomos uma maneira de entender os complexos processos físicos por trás da poeira e do gás espalhados pela Via Láctea.
A formação de estrelas ocorre escondida atrás de véus de poeira, mas isso não significa que tais processos não possam ser observados. Diferentemente dos telescópios ópticos, os “olhos” de microondas do Planck são capazes de desvendar estruturas brilhantes formadas por poeira e gás.
Dessa forma, o veículo espacial lançado em 2009 foi capaz de descobrir duas regiões relativamente próximas, na Via Láctea, cheias de gás e poeira, resultado da formação de estrelas.
A primeira imagem cobre boa parte da constelação de Órion, um berço de estrelas a cerca de 1,5 mil anos-luz e famosa pela nebulosa do mesmo nome, que pode ser vista da Terra mesmo a olho nu.
Na imagem feita pelo Planck, a nebulosa aparece como o ponto brilhante do lado esquerdo, um pouco abaixo do centro. À sua direita e um pouco acima, o outro ponto brilhante está em torno da nebulosa da Cabeça do Cavalo.
Os astrônomos estimam que o Arco de Barnard, a enorme formação vermelha que atravessa a imagem, seja a onda resultante da explosão de uma estrela há cerca de 2 milhões de anos. A “bolha” originada pelo fenômeno tem atualmente cerca de 300 milhões de anos-luz de diâmetro.
A outra imagem impressionante divulgada pela ESA mostra a constelação de Perseu, uma região de formação de estrelas não tão vigorosa como a de Órion, mas ainda assim com muita atividade.
O objetivo principal da missão Planck é ajudar os astrônomos a vasculhar o espaço em faixas de microondas de modo a mapear as variações da antiga radiação que deriva do Big Bang.
Mais informações: www.esa.int/planck
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Fome mortal
Agência FAPESP – Na ficção científica, os buracos negros aparecem invariavelmente como formações misteriosas e com grande capacidade de destruir tudo o que passar por perto. A realidade, conforme aponta um novo estudo, liderado por cientistas da Universidade de Nottingham e do Imperial College London, no Reino Unido, parece ir nessa linha.
Segundo a pesquisa, buracos negros supermassivos são capazes de arrancar de galáxias imensas os gases necessários para a formação de novas estrelas, deixando gigantes vermelhas envelhecerem até desaparecer, sem que novas estrelas sejam formadas para substituí-las.
Os astrônomos usaram imagens obtidas do telescópio espacial Hubble e do observatório de raio X Chandra para detectar buracos negros em galáxias distantes.
Os pesquisadores analisaram galáxias que emitiam altos níveis de radiação e de raio X, que se configuram assinatura clássica de buracos negros que devoram gás e poeira por meio do processo conhecido como acreção, ou atração de matéria por meio da força gravitacional.
Nesse processo, à medida que a matéria se movimenta pelo horizonte de eventos de um buraco negro, ela se aquece e irradia energia em um disco de acreção.
Em buracos negros supermassivos essa radiação pode atingir proporções gigantescas, com a emissão de raio X em quantidade muito superior à soma das emissões de todos os outros objetos da galáxia. Ou seja, o buraco negro acaba “brilhando” mais do que toda a galáxia da qual faz parte.
De acordo com os cientistas, a quantidade de energia liberada é tão grande que seria suficiente para “roubar” todo o gás da galáxia por pelo menos 25 vezes.
O estudo aponta que a grande maioria da radiação em raio X presente no Universo é produzida por esses discos de acreção que envolvem os buracos negros.
A energia liberada por esses discos é tão grande que é capaz de aquecer os gases frios contidos no coração de galáxias massivas. Ocorre que os gases precisam ser frios e densos para entrar em colapso sob o efeito da gravidade e formar novas estrelas.
Como o material resultante da “fome” do buraco negro é quente e de baixa densidade, ele precisaria esfriar antes que a gravidade pudesse ter algum efeito. Mas o problema é que esse esfriamento demoraria ainda mais do que a idade atual do Universo, apontam os autores do estudo.
Depois que o buraco negro se alimentou, o resultado são que as estrelas velhas são extintas sem ter substitutas, deixando a galáxia escurecer e morrer também.
O estudo foi apresentado no dia 16 de abril em reunião da Royal Astronomical Society em Glasgow, na Escócia.
Segundo a pesquisa, buracos negros supermassivos são capazes de arrancar de galáxias imensas os gases necessários para a formação de novas estrelas, deixando gigantes vermelhas envelhecerem até desaparecer, sem que novas estrelas sejam formadas para substituí-las.
Os astrônomos usaram imagens obtidas do telescópio espacial Hubble e do observatório de raio X Chandra para detectar buracos negros em galáxias distantes.
Os pesquisadores analisaram galáxias que emitiam altos níveis de radiação e de raio X, que se configuram assinatura clássica de buracos negros que devoram gás e poeira por meio do processo conhecido como acreção, ou atração de matéria por meio da força gravitacional.
Nesse processo, à medida que a matéria se movimenta pelo horizonte de eventos de um buraco negro, ela se aquece e irradia energia em um disco de acreção.
Em buracos negros supermassivos essa radiação pode atingir proporções gigantescas, com a emissão de raio X em quantidade muito superior à soma das emissões de todos os outros objetos da galáxia. Ou seja, o buraco negro acaba “brilhando” mais do que toda a galáxia da qual faz parte.
De acordo com os cientistas, a quantidade de energia liberada é tão grande que seria suficiente para “roubar” todo o gás da galáxia por pelo menos 25 vezes.
O estudo aponta que a grande maioria da radiação em raio X presente no Universo é produzida por esses discos de acreção que envolvem os buracos negros.
A energia liberada por esses discos é tão grande que é capaz de aquecer os gases frios contidos no coração de galáxias massivas. Ocorre que os gases precisam ser frios e densos para entrar em colapso sob o efeito da gravidade e formar novas estrelas.
Como o material resultante da “fome” do buraco negro é quente e de baixa densidade, ele precisaria esfriar antes que a gravidade pudesse ter algum efeito. Mas o problema é que esse esfriamento demoraria ainda mais do que a idade atual do Universo, apontam os autores do estudo.
Depois que o buraco negro se alimentou, o resultado são que as estrelas velhas são extintas sem ter substitutas, deixando a galáxia escurecer e morrer também.
O estudo foi apresentado no dia 16 de abril em reunião da Royal Astronomical Society em Glasgow, na Escócia.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O AUDIOVISUAL PARA PAGAR
Já toda a gente reparou na factura DA EDP que recebe em Casa?
Contribuição Audiovisual pelo valor de 3.42 Euros???
E porque temos nós, portuguesinhos, de pagar isto???
Eu não pedi nada de Audiovisual... Estou a pagar porquê e para quem???
E para onde vai esse dinheiro???
E mais grave ainda.
Porque é que as escadas de condomínios também pagam os tais chamados euros para os audiovisuais. Temos televisão quando subimos as escada de Casa?
E outra, porque é que a casota de campo para apoio agrícola , também paga para os meios audiovisuais?
Só neste País. É o que temos e não há outro.
1 milhão de facturas dá mais de 3 milhões de Euros... Onde anda esse dinheiro???
Eu quero saber... E se me disserem que é para a RTP eu exijo a devolução do dinheiro.
Afinal pago a TVCabo para ter TV, outros pagam a TVTel, outros a Cabovisão, etc.
......mas há mais, e os contadores agrícolas espalhados por esses campos fora cada um a pagar esse imposto, deve ser para as plantinhas ouvirem música ... e as explorações agropecuárias... é que os animaizinhos parece que produzem melhor leite, ovos, carne... se calhar até se justifica !?
Contribuição Audiovisual pelo valor de 3.42 Euros???
E porque temos nós, portuguesinhos, de pagar isto???
Eu não pedi nada de Audiovisual... Estou a pagar porquê e para quem???
E para onde vai esse dinheiro???
E mais grave ainda.
Porque é que as escadas de condomínios também pagam os tais chamados euros para os audiovisuais. Temos televisão quando subimos as escada de Casa?
E outra, porque é que a casota de campo para apoio agrícola , também paga para os meios audiovisuais?
Só neste País. É o que temos e não há outro.
1 milhão de facturas dá mais de 3 milhões de Euros... Onde anda esse dinheiro???
Eu quero saber... E se me disserem que é para a RTP eu exijo a devolução do dinheiro.
Afinal pago a TVCabo para ter TV, outros pagam a TVTel, outros a Cabovisão, etc.
......mas há mais, e os contadores agrícolas espalhados por esses campos fora cada um a pagar esse imposto, deve ser para as plantinhas ouvirem música ... e as explorações agropecuárias... é que os animaizinhos parece que produzem melhor leite, ovos, carne... se calhar até se justifica !?
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