“David Lean, completaria 100 anos no passado dia 25 de Março de 2008”
No Oscar deste ano, a melhor piada do apresentador Jon Stewart envolveu um ipod. “Estou assistindo a “Lawrence da Arábia””, disse ele. Os magníficos desertos de “Lawrence da Arábia” de 1962 são a assinatura visual de David Lean. O cineasta inglês, que estava na fase dos grandes épicos – havia feito: “A Ponte do Rio Kwai” (1957) e faria “Doutor Jivago” (1965), completaria cem anos na terça-feira dia 25 de Março de 2008. Na infância, era proibido de ir ao cinema, mas seu legado é de amor total pelas imagens poderosas, para serem vistas nas maiores telas possíveis, e nunca em um aparelhinho.
Lean era de família tradicional. Quando adolescente, começou a trabalhar com contabilidade, como o pai, mas arrumou um emprego em um estúdio de cinema em 1927. de servir chá, levar mensagens e carregar latas de negativos, ele chegou a montador em filmes de Anthony Asquith, como “Pigmalião” em 1938, e Michael Powell, como “Paralelo 49” em 1941. em 1942, obteve a primeira chance na direção, dividindo a função com Noel Coward em “Nosso Braço, Nossa Alma”.
Seguiram-se três adaptações de peças de Coward, a principal delas é “Desencanto”, uma das grandes historias de amor infeliz do cinema. De Coward, David Lean passou para as adaptações de Charles Dickens. “Grandes Esperanças” de 1946 e “Oliver Twist” de 1948, sedimentaram a sua reputação como cineasta.
A fase épica começa com “A Ponte do Rio Kwai”, estrelado por seu ator assinatura, Alec Guinness. Com locações no Ceilão (hoje, Sri Lanka), o filme reproduziu um episodio da II Guerra Mundial e ganhou sete Oscares, incluindo filme e direção. O filme seguinte foi o monumental “Lawrence da Arábia”. Foi uma aventura: Lean levou toda a sua equipe para os desertos de Marrocos e da Jordânia e as filmagens duraram 20 meses. “Quando aparecem homens em camelos no horizonte, somos nós mesmos ali”, disse o ator Omar Sharif num extra da edição em DVD, mostrando o perfeccionismo do diretor.
O filme foi cortado depois da estréia e cortado mais ainda no relançamento de 1971. em 1988, o próprio Lean participou da restauração à metragem original, para um novo lançamento. Foi em “Lawrence da Arábia” que o diretor começou a parceria com o roteirista Robert Bolt, o fotografo Freddie Young e o músico Maurice Jarre. Novamente foram sete Oscares, incluindo filme e direção. Peter O’Toole não ganhou,mas tem uma das melhores atuações da historia.
A música de “Lawrence da Arábia” é tão famosa quanto a de “Doutor Jivago”, com o “Tema de Lara”. O filme de 1965 mostra um triangulo amoroso entre Omar Sharif, Julie Christie e Geraldine Chaplin, que se passa na Rússia da época da revolução comunista e, irritando esquerdistas, fez grande sucesso. Os desertos agora são os gelados, com locações na Finlândia.
Cinco anos depois, veio “A Filha de Ryan”, que não teve a mesma repercussão. O time, com Bolt, Young e Jarre era o mesmo, mas o belo filme não foi sucesso nem de público nem de critica. Lean só lançou um novo filme em 1984, com “Passagem para a India”. Ele escreveu o roteiro e também montou o filme, e as reações foram bem diferentes, com critica e público.
Lean morreu de câncer em 1991, quando estava perto de começar as filmagens de “Nostromo” uma adaptação de Joseph Conrad. Seu refinamento faz falta hoje, tanto que, quando o British Film Institute elegeu os cem maiores filmes britânicos de todos os tempos, entre os cinco primeiros estavam três filmes de David Lean.
‘Renato Felix’
http://www.youtube.com/watch?v=3bNpGkjV6sI
http://www.youtube.com/watch?v=DJwv7AVOuD8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=bSlq1CNQwEc
http://www.youtube.com/watch?v=XC2Bk8f8plU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=3X-Q4nmYqc4&NR=1
Eu nasci em 1962, consegui ver tudo isto, graças a David Lean.
Só posso dizer que foi alguém que me fez passar a amar o cinema.
Estaras junto da estrela mais brilhante do ceu. Eu sei!
Obrigado David! Obrigado...
João Massapina
Blog de opinião pessoal, critica, independente e rigorosa em termos de analise problematica das questões. Convidados a participar cidadãos com um pensamento livre e descomprometido com obrigações de seguidismo politico, social ou religioso. Aqui, neste espaço, cada um continua a ter as suas opções pessoais, de forma livre. Cada um sabe de si!!!
quarta-feira, 9 de abril de 2008
NO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM
Quando eu era criança, grande parte das histórias iniciava com duas frases, a primeira e mais conhecida é:
“Era uma vez...”
A segunda, e também muito conhecida era:
“No tempo em que os animais falavam...”
Talvez esta tradição tenha começado com as fabulas de um antigo escravo, Esopo, que viveu há mais de 2.500 anos. Sua origem é também lendária; seu lugar de nascimento varia, segundo a enciclopédia consultada, da Grécia à Etiópia. Mas isso não tem a menor importância, seu legado atravessou o tempo, fez sucesso em todas as gerações, e continua vivo até hoje.
Volta e meia releio os seus ensinamentos, e me parecem mais importantes que o de muitos filósofos atuais. A seguir, algumas das fabulas onde usa a raposa como tema; a força das suas histórias é tão forte que até hoje o pobre animal passou a ser sinônimo de esperteza.
A raposa e o rei macaco
Os animais decidiram que o rei do grupo seria eleito por aquele que dançasse melhor. Depois de uma grande festa, onde todos participaram, o macaco recebeu a coroa.
Ciumenta a raposa foi passear pelas redondezas. Ali descobriu uma armadilha intacta, com comida dentro. Mais do que depressa, pegou-a e a trouxe até ao grupo:
- Achei este banquete, e me vi na obrigação de entregá-lo ao nosso rei, que terá prioridade sobre tudo.
Sem pensar muito o macaco colocou a mão para pegar a comida, e ficou preso na armadilha.
- Você me traiu – gritava ele.
- Como assim? Eu nem tentei pegar a comida! Mas pelo menos vimos que não estás preparado para o cargo; um animal inteligente jamais toma uma decisão sem antes pensar muito sobre todas as possibilidades e perigos envolvidos.
A raposa com o rabo cortado
Uma raposa caiu por acaso em uma armadilha. Conseguiu escapar,mas teve seu rabo cortado. A partir daí, passou a considerar-se monstruosa. Mas achou uma solução, ao encontrar-se com suas amigas:
- Penso que a nova moda é cortarmos o rabo. Desperta a cobiça dos caçadores, não nos serve para nada, e é um peso inútil que carregamos.
- Querida irmã – respondeu uma delas – Se tivesses rabo, estrias nos dando este conselho? Somos sábias o suficiente para saber quando alguém deseja o nosso bem, ou quando está querendo apenas nos igualar às suas deficiências.
A raposa e o lavrador
Cansado de ver sua colheita sempre sendo parcialmente destruída por aquele pequeno animal, o lavrador conseguiu capturar a raposa. Sem a menor piedade, colocou aguardente em seu corpo e ateou fogo.
Sabendo que ia morrer, ela começou a correr pelo meio da colheita, e tudo á sua volta começou a incendiar-se também. Enquanto se afastava, dizia:
- Da próxima vez, procura ser compreensivo e indulgente! É melhor sempre dar um pouco do que se tem, do que querer guardar tudo! Sempre que fazemos o mal, ele termina se voltando contra nós mesmos!
A raposa e o corvo
O corvo roubou dos pastores um pedaço de queijo, e foi instalar-se numa arvore para comê-lo. Naquele momento passava uma raposa esfomeada, que pediu um pedaço, mas o corvo fez um sinal negativo com a cabeça.
Foi então que ela começou a dizer que ele tinha todas as qualidades: era sagaz, voava, tinha uma linda plumagem negra. Só tinha um defeito: não saia cantar como os outros pássaros.
Para provar que ela estava errada o corvo abriu a boca para cantar, e o queijo caiu no chão. Ela o pegou imediatamente, e saiu dali dizendo:
- Querido amigo, esse é o preço da vaidade! Quando alguém está lhe elogiando muito, deves sempre ficar desconfiado!
‘Paulo Coelho’
“Era uma vez...”
A segunda, e também muito conhecida era:
“No tempo em que os animais falavam...”
Talvez esta tradição tenha começado com as fabulas de um antigo escravo, Esopo, que viveu há mais de 2.500 anos. Sua origem é também lendária; seu lugar de nascimento varia, segundo a enciclopédia consultada, da Grécia à Etiópia. Mas isso não tem a menor importância, seu legado atravessou o tempo, fez sucesso em todas as gerações, e continua vivo até hoje.
Volta e meia releio os seus ensinamentos, e me parecem mais importantes que o de muitos filósofos atuais. A seguir, algumas das fabulas onde usa a raposa como tema; a força das suas histórias é tão forte que até hoje o pobre animal passou a ser sinônimo de esperteza.
A raposa e o rei macaco
Os animais decidiram que o rei do grupo seria eleito por aquele que dançasse melhor. Depois de uma grande festa, onde todos participaram, o macaco recebeu a coroa.
Ciumenta a raposa foi passear pelas redondezas. Ali descobriu uma armadilha intacta, com comida dentro. Mais do que depressa, pegou-a e a trouxe até ao grupo:
- Achei este banquete, e me vi na obrigação de entregá-lo ao nosso rei, que terá prioridade sobre tudo.
Sem pensar muito o macaco colocou a mão para pegar a comida, e ficou preso na armadilha.
- Você me traiu – gritava ele.
- Como assim? Eu nem tentei pegar a comida! Mas pelo menos vimos que não estás preparado para o cargo; um animal inteligente jamais toma uma decisão sem antes pensar muito sobre todas as possibilidades e perigos envolvidos.
A raposa com o rabo cortado
Uma raposa caiu por acaso em uma armadilha. Conseguiu escapar,mas teve seu rabo cortado. A partir daí, passou a considerar-se monstruosa. Mas achou uma solução, ao encontrar-se com suas amigas:
- Penso que a nova moda é cortarmos o rabo. Desperta a cobiça dos caçadores, não nos serve para nada, e é um peso inútil que carregamos.
- Querida irmã – respondeu uma delas – Se tivesses rabo, estrias nos dando este conselho? Somos sábias o suficiente para saber quando alguém deseja o nosso bem, ou quando está querendo apenas nos igualar às suas deficiências.
A raposa e o lavrador
Cansado de ver sua colheita sempre sendo parcialmente destruída por aquele pequeno animal, o lavrador conseguiu capturar a raposa. Sem a menor piedade, colocou aguardente em seu corpo e ateou fogo.
Sabendo que ia morrer, ela começou a correr pelo meio da colheita, e tudo á sua volta começou a incendiar-se também. Enquanto se afastava, dizia:
- Da próxima vez, procura ser compreensivo e indulgente! É melhor sempre dar um pouco do que se tem, do que querer guardar tudo! Sempre que fazemos o mal, ele termina se voltando contra nós mesmos!
A raposa e o corvo
O corvo roubou dos pastores um pedaço de queijo, e foi instalar-se numa arvore para comê-lo. Naquele momento passava uma raposa esfomeada, que pediu um pedaço, mas o corvo fez um sinal negativo com a cabeça.
Foi então que ela começou a dizer que ele tinha todas as qualidades: era sagaz, voava, tinha uma linda plumagem negra. Só tinha um defeito: não saia cantar como os outros pássaros.
Para provar que ela estava errada o corvo abriu a boca para cantar, e o queijo caiu no chão. Ela o pegou imediatamente, e saiu dali dizendo:
- Querido amigo, esse é o preço da vaidade! Quando alguém está lhe elogiando muito, deves sempre ficar desconfiado!
‘Paulo Coelho’
NO SILENCIO
No silêncio Do meu desânimo triste, Fui quebrando As últimas ilusões... Da vida não quero nada. O que é que a gente constrói Dando amor ou amizade? Tranquiliza-te, sei bem: Eras o único afecto - Um frágil fio de cambraia Envolvendo A mais sólida ilusão - Que se esvaiu como as outras... Da vida não quero nada. De tudo me hei-de esquecer... E se aperto com dandismo O nó da minha gravata, É inda um defeito inútil - Dos poucos que hei-de manter.
António Botto
António Botto
NEIL ASPINALL
Houve um tempo em minha vida em que se alguém me pergunta-se:
“Se você pudesse ser outra pessoa, quem gostaria de ter sido?”
Eu respondia:
“Neil Aspinall”
Minha resposta produziria no rosto do perguntante uma expressão vácua, e um olhar de computador travado – o que era, de certo modo a minha intenção. Aspinall, falecido á poucos dias, aos 65 anos, foi talvez a pessoa mais próxima dos Beatles durante toda a existência do grupo. Mais do que o empresário Brian Epstein, mais do que o produtor musical e arranjador George Martin, mais do que qualquer outro individuo.
Nascido em Liverpool, ele estudou no mesmo colégio com John, Paul e George, mas aproximou-se deles através de Pete Best, o baterista que depois foi descartado em proveito de Ringo Star, e que era seu amigo do peito. Hunter Davies, o biografo oficial dos Beatles, sugere inclusive que Neil teve um caso com a mãe de Pete, Mona Best, dona do Casbah Club e da pensão onde Neil morava. Quando a banda começou a fazer shows profissionais Neil, que os rapazes chamavam “Nell”, tornou-se motorista e “roadie” oficial, dirigindo a van que os levava e carregava os amplificadores. Quando Pete Best foi dispensado, Neil ficou furioso e quis se demitir, em solidariedade ao amigo, mas Pete o dissuadiu:
“Não faça essa besteira, esses caras vão longe”.
Foram, e Neil com eles.
Trzia comidas,providenciava garotas, falsificava autógrafos nas fotos da banda, passava os ternos, resolvia todos os pepinos de última hora. Os Beatles decolaram para o estrelato mundial, e Neil do lado, alugando jatinhos, administrando excursões, apaziguando brigas. Foi ele quem descobriu e comprou, por meio milhão de libras, a casa de 3 Savile Row, onde a Apple Records se instalou. Como ex-estudante de contabilidade, tornou-se gerente de produção da gravadora. Trabalhou na produção do filme “Let it Be” e na organização da “Beatle Anthology” lançada em 1995. Juntamente com o outro pau-pra-toda-a-obra Mal Evans, falecido em 1976, era uma das pessoas em quem os Beatles tinham total confiança, uma confiança que nunca foi traída. Neil, aliás sempre recusou propostas de editoras interessadas em publicar as suas memórias.
Na reta final da separação dos Beatles, quando o empresário Allen Klein assumiu os negócios do grupo no auge da crise da Apple, Neil confessava ter sonhos estranhos. Sonhava que estava fugindo de um perseguidor desconhecido, correndo pelas ruas com os braços cheios de preciosos peixes feitos de prata. Quanto mais corria, mais os perseguidores se aproximavam; e quando mais tentava segurar os peixes mais eles deslizavam e escapuliam dos seus braços.
O saite do The Telelegraph:
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2008/03/04/db2405xml
mostra uma rara foto de Neil substituindo George Harrison à guitarra durante um ensaio dos Beatles para o Ed Sutlivan Show: aquele sujeito louro, magrinho, tocando no meio dos outros três. Pense num cara que realizou um sonho!
‘Braulio Tavares’
“Se você pudesse ser outra pessoa, quem gostaria de ter sido?”
Eu respondia:
“Neil Aspinall”
Minha resposta produziria no rosto do perguntante uma expressão vácua, e um olhar de computador travado – o que era, de certo modo a minha intenção. Aspinall, falecido á poucos dias, aos 65 anos, foi talvez a pessoa mais próxima dos Beatles durante toda a existência do grupo. Mais do que o empresário Brian Epstein, mais do que o produtor musical e arranjador George Martin, mais do que qualquer outro individuo.
Nascido em Liverpool, ele estudou no mesmo colégio com John, Paul e George, mas aproximou-se deles através de Pete Best, o baterista que depois foi descartado em proveito de Ringo Star, e que era seu amigo do peito. Hunter Davies, o biografo oficial dos Beatles, sugere inclusive que Neil teve um caso com a mãe de Pete, Mona Best, dona do Casbah Club e da pensão onde Neil morava. Quando a banda começou a fazer shows profissionais Neil, que os rapazes chamavam “Nell”, tornou-se motorista e “roadie” oficial, dirigindo a van que os levava e carregava os amplificadores. Quando Pete Best foi dispensado, Neil ficou furioso e quis se demitir, em solidariedade ao amigo, mas Pete o dissuadiu:
“Não faça essa besteira, esses caras vão longe”.
Foram, e Neil com eles.
Trzia comidas,providenciava garotas, falsificava autógrafos nas fotos da banda, passava os ternos, resolvia todos os pepinos de última hora. Os Beatles decolaram para o estrelato mundial, e Neil do lado, alugando jatinhos, administrando excursões, apaziguando brigas. Foi ele quem descobriu e comprou, por meio milhão de libras, a casa de 3 Savile Row, onde a Apple Records se instalou. Como ex-estudante de contabilidade, tornou-se gerente de produção da gravadora. Trabalhou na produção do filme “Let it Be” e na organização da “Beatle Anthology” lançada em 1995. Juntamente com o outro pau-pra-toda-a-obra Mal Evans, falecido em 1976, era uma das pessoas em quem os Beatles tinham total confiança, uma confiança que nunca foi traída. Neil, aliás sempre recusou propostas de editoras interessadas em publicar as suas memórias.
Na reta final da separação dos Beatles, quando o empresário Allen Klein assumiu os negócios do grupo no auge da crise da Apple, Neil confessava ter sonhos estranhos. Sonhava que estava fugindo de um perseguidor desconhecido, correndo pelas ruas com os braços cheios de preciosos peixes feitos de prata. Quanto mais corria, mais os perseguidores se aproximavam; e quando mais tentava segurar os peixes mais eles deslizavam e escapuliam dos seus braços.
O saite do The Telelegraph:
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2008/03/04/db2405xml
mostra uma rara foto de Neil substituindo George Harrison à guitarra durante um ensaio dos Beatles para o Ed Sutlivan Show: aquele sujeito louro, magrinho, tocando no meio dos outros três. Pense num cara que realizou um sonho!
‘Braulio Tavares’
NATUREZA HUMANA
Sorriso enluarado, longos braços de mar, olhos de chuva leve, mãos de doce ventar, riso de queda d´água, seios, vastas colinas, cabelo, anel de nuvens pernas, árvores finas.
Maria da Graça Almeida
Maria da Graça Almeida
NA RAIZ DO TEMPO
Teu corpo
-ócio de alga e sal
na vastidão do azul
permanece
E o tacto do sol
Na vulva da ilha
Bebe-se
Aurelino Costa
-ócio de alga e sal
na vastidão do azul
permanece
E o tacto do sol
Na vulva da ilha
Bebe-se
Aurelino Costa
MYSELF
What, younger, felt was possible, now knows is not - but still not chanted enough - Walked by the sea, unchanged in memory - evening, as clouds on the far-off rim of water float, pictures of time, smoke, faintness - still the dream. I want, if older, still to know why, human, men and women are so torn, so lost, why hopes cannot find better world than this. Shelley is dead and gone, who said, "Taught them not this - to know themselves; their might could not repress the mutiny within, And for the morn of truth they feigned, deep night Caught them ere evening . . ."
Robert Creeley
Robert Creeley
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