sexta-feira, 9 de setembro de 2011

" Cuidado com o Cartão de Cidadão”

Há cerca de um mês, o meu Bilhete de Identidade caducou e passei a ser portadora do Cartão de Cidadão. No momento do levantamento deste, na Loja do Cidadão, fui confrontada com cuidados mais complexos do que os até então utilizados para o levantamento de BI (entrega ao próprio, identificação pelas impressões digitais dos indicadores direitos e esquerdos, assinatura presencialmente da recepção, ?).
Perante o avolumar de falsificações de documentos a que hoje se assiste, todos estes cuidados pareceram-me correctos.
Apercebi-me, contudo, que o cartão contém diferentes informações não visíveis (que me dizem respeito) e às quais só tenho acesso com um leitor de cartões. Aparelho que o comum dos mortais não possui. Refiro-me concretamente a todas as informações recolhidas nos documentos que este novo cartão congrega: direcção, freguesia, data de validade?
Há 3 dias tive de me deslocar a Lisboa e pernoitar num Hotel. Aí pediram-me o BI. Obviamente, apresentei o meu novo Cartão do Cidadão.
Qual não foi o meu espanto quando percebi que o jovem que me atendeu colocou o meu cartão de Cidadão num leitor de cartões e, num segundo, teve acesso a mais informações sobre mim do que eu própria!!! (foi ele mesmo que me disse que até via data de validade, que eu ainda não sei qual é!!!!!)
Meus amigos, isto faz algum sentido?
Então, têm todos os cuidados para entregar o cartão ao próprio cidadão e depois qualquer sujeito privado ou público tem acesso a esses dados? Deixam omissas informações que depois qualquer pessoa tem acesso desde que tenha um leitor? Então o leitor de cartões não está acessível exclusivamente a organismos públicos? Para que diabo é que um serviço privado, como um hotel, tem acesso à minha vida toda?
Onde está o direito à não invasão da minha privacidade?
Todos estes dados, em conjunto, permitem o acesso a outras informações da minha vida pessoal e profissional, através da internet. Ex: a página pessoal  de qualquer funcionário público.
Que raio de prevenção contra a falsificação de documentos é esta?
Será que ninguém percebeu ainda que, assim, a cópia da identidade de alguém se torna simples e eficaz? Basta roubar um simples documento.
O complicador é só ter um chip? Mas alguém acredita nisso?
Cá por mim, nunca mais apresento o cartão de Cidadão em lado nenhum.
A carta de condução (que também é um documento identificativo) vai passar a servir muito bem.  

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ágora agora

A democracia ateniense compreendia um universo sociológico estimado em 400 mil habitantes, dos quais se calcula que só à volta de 40 mil, mais 10 ou menos 10 mil, tivessem poder político – isto é, fossem considerados cidadãos. Para tal, teriam de ser homens atenienses; o que excluía as mulheres, os estrangeiros e seus filhos, e os escravos. Será o equivalente, comparando o incomparável, ao número de eleitores da freguesia de Benfica em Lisboa.
Para além do baixo número de cidadãos, também a cultura era muito mais simples e uniformizada do que a das democracias modernas, com o seu aumento incomensurável de informação e de paradigmas intelectuais e morais. Finalmente, os problemas de gestão nesta escala populacional, nesta tipologia étnica e nesta economia pré-industrial são completamente distintos, porque muito menos complexos, do que aqueles que enfrentamos na contemporaneidade.
Por estas razões, uma das características mais radicais da democracia grega podia funcionar com plena eficácia: o sorteio como método de escolha de alguns governantes. O risco de assimetrias graves no desempenho era baixíssimo, dados os mínimos denominadores comuns quanto aos conhecimentos e aos valores. Em resultado, o conceito de democracia realizava-se de uma forma que para nós se tornou impossível. Na nossa época, dependemos de especialistas para a enorme maioria das funções governativas.
Todavia, atribuímos o direito de voto a todo e qualquer indivíduo que tenha nacionalidade e maioridade reconhecidas. Quer dizer que basta ter 18 anos, mesmo que nem sequer se saiba o que é um parlamento, para ter literalmente voto em matéria de escolha de governantes. Isto é absurdo. Mas não é menos absurdo do que aceitar votos de alguém que pode ter 44 anos e ser um psicopata. Ou ter 81 e estar senil. Na urna, tal como o dinheiro romano das latrinas, os votos não tem cheiro nem autoria. São a expressão abstracta do colectivo concreto, para o melhor e para o pior.
Esta caótica misturada de idades, experiências de vida, estados mentais, ignorâncias, ilusões, esperanças e sabedorias – em cujas mãos depositamos a legitimidade e o destino político da comunidade – precisa de algo mais do que retóricas partidárias e eleitorais: precisa de quem a ame. 

In: Aspirina B

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Prevenção de violência

É compreensível que haja uma revolta latente na sociedade, e que esta se possa tornar violenta. Afinal, os trabalhadores, os jovens, os precários, os desempregados, os estudantes, os professores, os funcionários públicos, boa parte da classe média, toda uma imensa massa de gente que vê um futuro cada vez mais negro e sem esperança, todos eles foram traídos por gente sem escrúpulos que mentiu, enganou, e se serviu deles, da sua boa-fé, e da boa-fé do sistema democrático, para avançar as suas agendas submissas ao grande capital, aos banqueiros, ao FMI, aos grandes empresários exploradores, ao capitalismo liberal e selvagem, ao assistêncialismo degradante.
Quando se promete uma vida melhor e se trai essa promessa de maneira tão descarada, entregando as riquezas da maioria a uma minoria de poderosos de sempre, e depois se tem a suprema lata de vir clamar que nos defendem, que é para nosso bem, é natural que o ressentimento e a revolta  se acumulem e possam acabar por explodir de maneira violenta e imprevisível. É por essa razão, e para evitar vítimas e destruição de propriedade, que o governo tem de estar muito atento a eventuais ataques às sedes do PCP e do BE. Afinal, mesmo os piores oportunistas têm direito a serem protegidos da revolta do povo, por muito justa que seja.

In: Aspirina B

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Paulo Portas quer matar politicamente Passos Coelho!

1.Paulo Portas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do atual governo de coligação de centro-direita liderado pelo PSD, atacou violentamente Alberto João Jardim pelo seu despesismo. Ora, tal declaração de Portas mostra bem que o líder do CDS não está de alma e coração no executivo - ao primeiro sinal de que o governo possa estar em crise, Paulo Portas abandonará o barco. Sem a mínima hesitação. Quem dolosamente provoca o primeiro grande conflito (inútil!) na coligação, não terá problemas em precipitar a sua queda. Mas, pergunta-se: a atitude desleal de Paulo Portas é uma surpresa? Não, nada disso. Paulo Portas está a ser o que é e sempre foi: um autêntico e profissional cata-vento.
2.Já aqui escrevi diversas vezes no POLITICOESFERA que colocar Paulo Portas no Ministério dos Negócios Estrangeiros era um risco. Porquê? Porque é confiar ao líder do CDS/PP a pasta que é tradicionalmente mais popular entre os portugueses (e os barómetros do EXPRESSO têm revelado que a tendência se mantém) e está subtraída à tomada de decisões com mais impacto negativo na vida dos portugueses. Ora, a votação do CDS, nas últimas legislativas, já foi bastante significativa - superior à obtida em 2002, que ditou a inclusão dos centristas no governo liderado por Durão Barroso (e depois por Pedro Santana Lopes). Daqui decorre que o CDS tem um peso político muito mais forte neste governo de Passos Coelho -ora, dar mais força ao CDS permitindo que Paulo Portas seja mais popular do que Passos Coelho (líder do PSD e primeiro-ministro) é , no mínimo, suicida! É levar o CDS ao colo! Se o executivo correr mal, nas próximas eleições legislativas (ordinárias ou antecipadas), o CDS vai aparecer como um partido credível, revigorada, nada afectado pela experiência governativa! No fundo, vai capitalizar o lado positivo do governo -e entregar integralmente o podre da governação ao PSD. Passos Coelho sabe disso. Miguel Relvas - embora, por vezes, pareça - não é nenhum naif político. Como será o relacionamento , doravante, com Paulo Portas? Esta será uma questão crucial na política portuguesa nos próximos tempos.
3.A questão é, ainda, mais grave se considerarmos o seguinte: se olharmos para o executivo com muita atenção, as pastas sensíveis pertencem - todas! - ao PSD. As finanças? Pertencem ao PSD. A economia? Ao PSD. O Trabalho? Como na orgânica deste governo, o trabalho está integrado no super-ministério da Economia, está com o PSD. A saúde? Com o PSD. A Justiça? É do PSD. Ao CDS pertence - imagine-se - o Ambiente (pasta mais soft era impossível), a Segurança Social (que, tirando a questão da definição de um modelo mais de capitalização, não suscitará problemas de maior - até porque é um ministro fraco, Pedro Mota Soares) e os Negócios Estrangeiros (o habilidoso Portas). O CDS foi muito chico-esperto na escolha dos ministérios que escolheu.
4. Em suma, Passos Coelho foi, literalmente, fintado por Paulo Portas. Lembro-me que, na altura da formação do governo, a maioria dos comentadores elogiou o poder de negociação de Passos Coelho face ao CDS. Na altura, discordei. E a realidade tem confirmado o meu ponto de vista: Paulo Portas não acredita muito neste governo, muito menos neste Primeiro-ministro. Portas acha-se politicamente superior a Passos Coelho - e não aceita ser seu subalterno. O episódio com Alberto João Jardim do passado fim de semana foi apenas um primeiro sinal. Este governo de coligação tem tudo para não correr muito bem ao PSD... Paulo Portas é, neste momento, o principal adversário político de Passos Coelho.
 
Email:politicoesfera@gmail.com

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tripas à moda do Porto?‏

Do alto dos meus 48 anos de portuense, posso assegurar que nunca esta cidade teve um Presidente da Câmara tão medíocre. As qualidades que os meus concidadãos lhe reconhecem são para mim um mistério. Sempre o vi como uma figura provinciana, poupadinho, sem obra ou visão de futuro para a cidade. Com uma mentalidade tacanha, privilegiando os seus ódios sobre os interesses do colectivo, é um personagem tão desprezível que quase nunca me apetece escrever sobre este Salazar de pacotilha. Lembro o episódio pífio do fogo de artifício que não rebentou, o virar de costas ao maior clube da cidade, passando pela completa ignorância dos movimentos culturais e artísticos que se geraram na cidade sempre à sua revelia. Agora mostra uma vez mais a menoridade da sua dimensão com o triste episódio das tripas. Incapaz de se articular com quem não segue cegamente a sua cartilha, este homúnculo, dá o dito por não dito e não apoia as tripas como candidato às 7 maravilhas gastronómicas de Portugal. Episódio insignificante e um concurso um bocado ridículo, é certo. Mas como autarca da segunda cidade do país cumprir-lhe-ia apoiar o nosso prato mais antigo e tradicional. Mesmo a contragosto, que há muitos tripeiros que não gostam de tripas. Mas, uma vez mais provando a sua menoridade e incapacidade de estabelecer pontes ou consensos, gasta dinheiros públicos para verberar contra o seu rival Menezes. Como cidadão que paga os seus impostos municipais custa-me sobremaneira que o meu dinheiro seja gasto  para alimentar egos desproporcionalmente inflados ou rivalidades provincianas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Madeira, o parque de diversões do PPD/PSD

Na última semana assistimos a mais um episódio do PPD/PSD Terceira sobre a recuperação dos Jardins do Palácio dos Capitães Generais, investimento orçado em cerca de um milhão de euros.
Mais do que discutir jardins, relvados e amores-perfeitos, folgo em saber que o outro PPD/PSD, o da Madeira, em informação veiculada pelo “jornal do regime”, vai gastar 8,6 milhões de euros + IVA em “(..) motivos decorativos, montagem e desmontagem das iluminações das festas de Natal, Passagem de Ano, Carnaval e Vinho Madeira.”
O esbanjamento de dinheiro insere-se na Festa de Natal e Passagem de Ano de 2011/2012, 2012/2013 e 2013/2014, nas Festas de Carnaval dos anos 2012/2013/2014 e nas Festas do Vinho Madeira dos anos 2012/2013/2014.
Fico a pensar que nove milhões de euros em mangueiras luminosas, serrilhas e arames deve dar para fazer da Madeira um mega parque de diversões… Para a festa ficar completa, só faltam os carrinhos de choque com aquela sirene maluca no fim de cada voltinha.

Rui Ataíde

segunda-feira, 25 de julho de 2011

MAIS UMA VERGONHA NACIONAL: Senhas de Presença do Dr. Jorge Sampaio - Fundação Cidade de Guimarães‏

ISTO ESTÁ UM INFERNO!

SÓ AINDA NÃO COMEÇOU A ARDER.

MAS, ESPERO QUE QUANDO COMEÇAR CONSIGA CALCINAR ESTES FILHOS DA mãe TODOS!

Para estes não há austeridade!
E ao que alguns destes pássaros ganham neste tacho há que juntar os vários Conselhos de Administração a que pertencem.
Assim de repente lembro-me que o antigo Presidente tem dois tachos na ONU e o Freitas do Amaral é vogal não executivo na Galp, onde recebe senhas de presença no valor de 3500 Euros por cada reunião!
Começo a estar preocupado com a lentidão do arranque dos trabalhos para saber quais são as Fundações, Institutos, Empresas Municipais e Parcerias Público-Privadas que vão ser extintas ou aglomeradas.
Durante as eleições não se prometeu outra coisa, mas agora, ninguém fala de tais promessas!
Ainda nos vai cair outro imposto em cima e nada de diminuição de despesas do Estado!
Quanto à Justiça, soube hoje, através da TV que um criminoso a cumprir uma pena de 24 anos teve direito a saídas precárias!!!
Claro que acabou por fugir!
E quem foi o responsável ou responsáveis por tal autorização?
Será que irão ser responsabilizados pela Ministra da Justiça?
Os Agentes das Forças de Segurança continuam a ser agredidos e os seus agressores a serem libertados.
Sabem de algum caso em que tenha dado lugar a punição efectiva? Eu, não.
E os criminosos com longo historial de roubos violentos e que são libertos aguardando em liberdade o julgamento, julgamento esse que nunca se realiza pois assim que são notificados desaparecem!

Continuamos a caminhada para este País se transformar numa República das Bananas!

José Morais da Silva


Assunto: Senhas de Presença do Dr. Jorge Sampaio - Fundação Cidade de Guimarães


ALGUNS DEMOCRATAS E CAMARADAS SOCIALISTAS
GRANDES PATRIOTAS E DEFENSORES DOS INTERESSES
DO PAÍS MESMO DEPOIS DE O FALIREM

 
É imperioso e urgente que o nº máximo possível de Portugueses tomem conhecimento destas vergonhas!!!
Verdadeiro crime social!!! (entre muitos outros).


Folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães

Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos
administradores e de outros figurões, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:


-  Jorge Sampaio - Presidente do Conselho de Administração:
14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
-  Carla Morais - Administradora Executiva
12.500 €  (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
-  João B. Serra - Administrador Executivo
12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
-  Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo
2.000 € mensais + 300 € por reunião


Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se
destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano (dinheiro injectado pelo Estado Português) em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!!
Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM !


Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !!!

Alguém
acredita em leis anti-corrupção feita por corruptos?