quarta-feira, 9 de abril de 2008

LUZ DO LÍMPIDO OLHAR

O paraíso terrestre é uma flor verde. As árvores abrem-se ao meio. O que é sucessivo perde-se. Se o tempo modifica os seres e os objectos eu sinto a diferença e gasto-me. O sol é um erro de gramática, a luz da madrugada uma folha branca à transparência da lâmpada. Soam então os barulhos. Soam de dentro das janelas, de dentro das caixas fechadas há mais tempo, de dentro das chávenas meias de café. É tarde e és tu, acima de tudo, entre a manhã e as árvores, à luz dos olhos, à luz só do límpido olhar.

Nuno Júdice

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