quarta-feira, 30 de abril de 2008

OS TRES VENENOS

O sofrimento da humanidade origina-se de várias causas, sendo umas mais perniciosas que outras, devido à potencialidade que têm de inocular no organismo doses fatais de benefício. Desses venenos, três destacam-se como principais veículos condutores da dor, do sofrimento e da desgraça na face da terra: o apego, o ódio e o rancor.
Quantos de nós: já ouviram: alguém falar assim:
- Eu sou muito apegado aos meus bens, à minha esposa, que são os meus amores.
O vocábulo apego empregado nesse tom pode afastar-se do seu significado mais puro: de afeição de amizade.
Pode ser compreendido como um sentimento de domínio, de posse doentia, vinculado à satisfação e felicidade próprias, não à da pessoa amada, nem à preservação do patrimônio herdado ou adquirido. Pode ser ainda interpretado como um mal sem medida, não se confundindo, por isso, com o afeto ou com o amor. Estes somente estarão presentes numa relação que busca felicidade e alegrias mútuas.
As ações violadoras das mensagens da paz, da concórdia, do desejo de partilha com o irmão o pão de cada dia são causas desencadeadoras de efeitos futuros dolorosos. Persistir nesses caminhos não-virtuosos é o mesmo que adubar e aguar a semente da lei do retorno sombrio.
Os caracteres opacos são refratários a todo o ato do bem. Exalam ódio e rancor contra tudo o que os contraria; contra tudo que ocupa um espaço que crêem seus. Neles, ódio e rancor são causas confluentes de terríveis perversidades; de aversões profundas a determinadas pessoas, com inimizades tantas vezes não manifestadas, mas alimentadas, no intimo, com alto grau de ressentimentos.
Nos opacos, ódio e rancor tendem a crescer com adorno de espinhos. Mas, vencê-los é preciso, com a razão, mediante o controle e expurgo dessas causas viróticas, cortando-as pela raiz.
A felicidade somente chegará à porta dos opacos, quando estes adotarem um modo justo de agir, liberto da vingança, de ódio e de rancor. Aí, sim, encontrarão um ideal superior e sua fisionomia pura. Aí sim, serão finalmente, alguém.

‘Onélia Queiroga’

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